Papa institui organismo para leigos, família e vida

Papa saúda famílias na Praça São Pedro - Foto: Arquivo - L'Osservatore Romano

Documento de instituição foi publicado hoje pelo Vaticano; novo órgão será conduzido por bispo dos EUA

Com o Motu Proprio (documento de próprio punho) Sedula Mater publicado nesta quarta-feira, 17, o Papa Francisco instituiu um organismo da Igreja para cuidar de assuntos referentes aos leigos, família e a vida.

Este novo órgão é composto pelos antigos Pontifícios Conselhos para os leigos e para a família. O prefeito do novo dicastério também foi nomeado hoje pelo Papa: Dom Kevin Joseph Farrell, até então bispo de Dallas (EUA).

No documento publicado hoje, o Papa explica que a Igreja sempre teve cuidado e um olhar dirigido para os leigos, a família e a vida, manifestando o amor de Deus para com a humanidade. Nesse sentido, os “pastores do rebanho” se esforçam para que as riquezas de Cristo possam fluir sobre os fiéis.

“O Dicastério (órgão) para os Leigos, a Família e a Vida será disciplinado por estatutos especiais. Competências e funções até então pertencentes ao Pontifício Conselho para os Leigos e ao Pontifício Conselho para a Família serão transferidas a este dicastério a partir de 1º de setembro, com a definitiva cessação dos supracitados Pontifícios Conselhos”, escreve o Papa na Carta Apostólica.

O estatuto do novo organismo havia sido previamente aprovado pelo Papa em junho e mantém a ligação com o Pontifício Instituto João Paulo II de Estudos sobre o Matrimônio e a família, para o qual Dom Vincenzo Paglia foi nomeado como novo chanceler e Dom Pierangelo Sequeri. Foi nomeado como diretor.

 

 

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Papa: “fé que não é capaz de ser misericordiosa não é fé, é ideologia”

12910082_1001551459935840_357044946_nPapa Francisco celebrou uma vigília de oração marcada por muita oração e reflexão sobre a Misericórdia de Deus

Neste sábado, 2, o Papa Francisco celebrou a vigília de oração por ocasião do Jubileu da Misericórdia, na Praça São Pedro, no Vaticano. O momento contou com a presença de devotos da Divina Misericórdia, leigos e religiosos, que ouviram atentamente as reflexões, que foram baseadas no profeta Isaías.

A assembleia foi dividida em cinco partes reflexivas, incluindo intenções de orações e cânticos relacionados à Misericórdia. Os textos foram lidos por participantes do evento, que pediram com clamor: “estendei ó Senhor a tua Misericórdia” e “envolve-nos com tua Misericórdia ó Senhor”.

A realidade atual dos cristãos perseguidos, trechos da carta encíclica de São João Paulo II, “Dives in Misericordia”, publicada em novembro de 1980, e partes do diário de Santa Faustina Kowalsk também foram citados durante a celebração.

Discurso do Papa

Na última parte da assembleia da vigília, os participantes foram contemplados com o discurso do Papa Francisco, que refletiu o Evangelho de São João. O Pontífice iniciou agradecendo pelas orações e recordou a morte de São João Paulo II, que hoje completa 11 anos.

“Com alegria partilhamos esse momento de oração, tão desejado por São João Paulo II, em um dia como hoje. Em 2005 ele foi embora, e queria fazer isso para dar um cumprimento no pedido de Santa Faustina.”

Francisco prosseguiu questionando: “com quantas faces da misericórdia Deus vem ao nosso encontro? Muitas. É impossível descrever todas, porque a misericórdia de Deus cresce sem parar. Deus não se cansa de exprimir e nós jamais deveríamos recebê-la, procurá-la e desejá-la só por hábito”.

Deus, a misericórdia

O Papa destacou ainda que Deus manifestou varias vezes o seu nome, que é misericórdia. “Como é grande e infinita a natureza de Deus, assim é grande e infinita a sua misericórdia”, reflete, e prossegue citando a Bíblia, que mostra que a misericórdia é antes de mais nada a proximidade de Deus ao seu povo.

O Santo Padre observa também que o mundo de hoje tem muita necessidade dessa misericórdia e reforça que “não temos um Deus que não sabe compreender e compadecer-se das nossas fragilidades, ao contrário, foi precisamente em virtude da sua misericórdia que Deus se fez um de nós”.

“Pela encarnação o filho de Deus uniu-se de certo modo a cada homem, trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, Ele se fez verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado.”

A todo momento, o Papa se dirigiu a Deus como misericórdia. “A Misericórdia não esta parada, vai a procura da ovelha perdida e quando a encontra, irradia uma alegria contagiosa. A Misericórdia sabe olhar cada pessoa nos olhos, cada uma delas é preciosa. Porque cada uma é única.”

Quantas faces tem a misericórdia de Deus?

Para o Pontífice, falar dessa misericórdia é fácil, difícil mesmo é tornar-se testemunha da vida concreta. “Esse é um percurso que dura por toda vida e que não deve ser interrompida. Jesus nos disse que devemos ser misericordioso como o Pai, toda a vida, toma isso. Quantas faces tem, portanto, a misericórdia de Deus?”

Os pobres são recordados pelo Santo Padre, que se comove ao citar que esses não são vistos pelos demais. “A misericórdia não pode nos deixar tranquilos. É o amor de Cristo que nos inquieta e enquanto não tivermos alcançado o objetivo, que nos impede de abraçar e envolver os que necessitam de misericórdia, para que todos sejam reconciliados com o Pai.”

Amor que alcança todos

Francisco afirma também que a misericórdia é um amor que alcança todos e os envolve de tal maneira que se antecipa e vai além si mesmo. “Se deixarmos conduzir por esse amor, assim nos tornaremos misericordiosos como o Pai.”

Segundo o Papa, uma fé que não é capaz de ser misericordiosa não é fé, é ideia, é ideologia. A fé é encarnada no Deus que se fez carne e foi chagado por todos. “Mas se queremos acreditar e realmente ter fé, devemos nos aproximar e tocar nas chagas de Jesus e também abaixar a cabeça e deixar que os outros apreciem as nossas chagas.”

Ao concluir sua reflexão, o Papa Francisco pediu ao Espírito Santo que guie os passos de todos, pois Ele é amor e misericórdia. “Não coloquemos obstáculos na sua ação (…) Permaneçamos com o coração aberto para que o Espírito possa transformá-lo, e assim, perdoados e reconciliados, dentro das chagas do Senhor sejamos testemunhas da alegria que brota de ter encontrado o Senhor ressuscitado, Vivo no meio de nós”, e assim concedeu a bênção apostólica.

Logo após, Francisco improvisou um apelo para que Dioceses de todo o mundo pensem em deixar uma recordação viva desse Ano da Misericórdia.

Papa encoraja cristãos a ajudarem ciganos marginalizados

Papa encoraja cristãos a ajudarem ciganos marginalizados

Francisco encorajou responsáveis da Pastoral dos Ciganos a prosseguirem com seus trabalhos em prol dos ciganos que vivem marginalizados

Na manhã desta quinta-feira, 5, o Papa Francisco recebeu em audiência os participantes do Encontro Mundial dos Promotores Episcopais e dos Diretores Nacionais da Pastoral dos Ciganos.

O encontro, que reúne representantes de 26 países, é promovido pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, da Santa Sé, e acontece até esta sexta-feira, 6, em Roma.

Na audiência, o Santo Padre comentou o tema do evento “A Igreja e os Ciganos: anunciar o Evangelho nas periferias” e ressaltou que a temática recorda a relação existente entre a comunidade eclesial e o povo nômade. “A história de um caminho para se conhecer, para se encontrar; e ainda tem o desafio para o hoje, um desafio que se refere, seja à pastoral ordinária, seja à nova evangelização”, disse.

Francisco afirmou que, geralmente, os ciganos se encontram às margens da sociedades e são vistos com hostilidade e desconfiança. “Eu me lembro de tantas vezes que aqui em Roma quando eu subia no ônibus, alguns ciganos quando entravam, o motorista dizia: ‘Atenção às carteiras!’. Isso é desprezo! Talvez seja real, mas é desprezo”, lembrou o Papa.

O Pontífice disse ainda que os nômades acabam sendo mal envolvidos nas dinâmicas políticas, econômicas e sociais do território, e insistiu que, apesar desta ser uma realidade complexa, o povo nômade é chamado a contribuir com o bem comum e isso só é possível “através de caminhos adequados de co-responsabilidade, na observação dos deveres e na promoção dos direitos de cada um”.

Vulnerabilidade

O Papa destacou também as causas que provocam situações de pobreza em uma parte da população, identificando-as como “a falta de estruturas educacionais para a formação cultural e profissional, o difícil acesso à assistência sanitária, a discriminação no mercado de trabalho e a falta de moradias dignas”.

Segundo o Santo Padre, se essas “manchas do tecido social” afetam todos indistintamente, os grupos mais frágeis são aqueles que mais facilmente se transformam em vítimas das novas formas de escravidão. “São, de fato, as pessoas menos protegidas que caem na armadilha da exploração, da mendicância forçada e de diversas formas de abuso”.

Francisco afirma que os ciganos estão entre os mais vulneráveis, principalmente quando falta o apoio para a integração e a promoção da pessoa nas várias dimensões da vida em sociedade.

“Aqui se encontra a atenção da Igreja e a contribuição específica de vocês. O Evangelho, de fato, é anúncio de alegria para todos e, em modo especial, para os mais vulneráveis e marginalizados. A eles somos chamados a garantir a nossa proximidade e a nossa solidariedade, seguindo o exemplo de Jesus Cristo que testemunhou a eles a predileção ao Pai.”

Necessidade de novas estratégias

Além das ações solidárias em benefício ao povo nômade, ainda segundo o Santo Padre, é necessário “o empenho das instituições locais e nacionais, e o apoio das comunidades internacionais para identificar projetos e atuações voltados ao melhoramento da qualidade de vida”.

“No que diz respeito à situação dos ciganos em todo o mundo, hoje é imprescindível desenvolver novas abordagens em âmbito civil, cultural e social, bem como na estratégia pastoral da Igreja para lidar com os desafios que surgem de formas modernas de perseguição, de opressão e, às vezes, até de escravidão”, destacou Francisco.

Para isso, o Papa encorajou os presentes a prosseguirem com generosidade essa importante obra e a não desanimarem, mas continuarem no empenho em favor de quem realmente está em condições de necessidade e marginalização, nas periferias humanas. “Que os ciganos possam encontrar em vocês, irmãos e irmãs que os amam com o mesmo amor que Cristo amou os mais marginalizados. Sejam para eles, o rosto acolhedor e alegre da Igreja.”

O Encontro, organizado pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, termina nesta sexta-feira, 6, e pretende avaliar o empenho da Igreja nesse contexto e segundo uma realidade que exige novas estratégias de atuação perante a comunidade cigana. Serão dois dias de debates para analisar novos e adequados métodos em relação ao tema, incentivados pela exortação do Santo Padre.

A ocasião também deve servir para preparar as celebrações do cinquentenário da visita de Paulo VI ao acampamento dos ciganos na cidade de Pomezia, aqui na Itália, ocorrida em 1965.

Papa à Renovação Carismática: unidade e aproximação aos pobres

Fonte: News.va

 

Cidade do Vaticano (RV) – Uma multidão em festa acolheu na tarde deste domingo o Papa Francisco no Estádio Olímpico de Roma, para celebrar os 37 anos da Renovação Carismática italiana.
O Presidente do Movimento, Salvatore Martinez, deu as boas-vindas ao Pontífice, afirmando que o Olímpico hoje não é palco de um jogo de futebol, com os times da Roma, da Lácio ou do São Lourenço (da Argentina). Mas há sempre uma equipe, a dos discípulos de Jesus, cujo técnico é o Espírito Santo e o capitão é o Papa Francisco. “A estratégia de jogo é maravilhosa. Colocando em campo a fé, a vitória de Jesus está garantida”, disse ele.
Tomaram a palavra representantes dos sacerdotes, dos jovens, da família e dos enfermos, que deixaram seu testemunho, intercalados por palavras do Santo Padre, que porém fez notar aos organizadores que faltava um representante dos avós.
“Aos sacerdotes, me vem uma única palavra: proximidade. Proximidade a Jesus Cristo, na oração. Próximos ao Senhor. E proximidade às pessoas, ao povo de Deus que lhes é confiado. Amem sua gente”, disse Francisco.
Aos jovens, suas palavras foram: “Seria triste um jovem que protege sua juventude num cofre. Assim, esta juventude se torna velha, no pior sentido da palavra. Torna-se pano velho. Não serve para nada. A juventude serve para arriscar: arriscar bem, com esperança. Apostá-la em coisas grandes. Deve ser doada para que outros conheçam o Senhor. Não a poupem para vocês, avante!
Para as famílias presentes, o Pontífice recordou que são a Igreja doméstica, onde Jesus cresce, cresce no amor dos cônjuges, na vida dos filhos. Por isso o inimigo a ataca tanto: o demônio não a quer! E tenta destrui-la. “O Senhor abençoe a família e a fortifique nesta crise na qual o diabo quer destrui-la.”
Em seu pronunciamento, Francisco definiu a renovação carismática “uma corrente de graça na Igreja e para a Igreja”. Como em uma orquestra, nenhum movimento pode pensar em ser mais importante ou maior que o outro. “Quando isso acontece, a peste tem início. Ninguém pode dizer: eu sou o chefe. Como toda a Igreja, há um só chefe, um único Senhor: Jesus.”
Como na entrevista que concedeu voltando do Brasil, Francisco repetiu que não amava muitos os “carismáticos”, mas depois se tornou o assistente espiritual da Renovação Carismática, nomeado pela Conferência Episcopal Argentina. “Trata-se de uma força”, afirmou o Papa, pedindo que renovem o amor pela palavra, carregando no bolso o Evangelho.
E advertiu: “Cuidado para não perder a liberdade que o Espírito Santo nos doou. O perigo para a Renovação é a da excessiva organização. Sim, ela é necessária. Mas não percam a graça de deixar Deus ser Deus. Não há graça maior que deixar-se guiar pelo Espírito Santo”.
O Pontífice identificou ainda outro perigo, que é se tornar controlador da graça de Deus. “Muitas vezes, os responsáveis (gosto mais da denominação ‘servidores’) por alguma comunidade se tornam, sem querer, administradores da graça, decidindo quem pode recebê-la. Vocês são dispensadores, não controladores. Não sejam a alfândega ao Espírito Santo”. E indicou três obras como guias seguros para não errar o caminho, sendo uma delas “Renovação Carismática e serviço ao homem”, escrita pelo Card. Suenens e por Dom Hélder Câmara. “Este é o percurso, sintetizou: evangelização, ecumenismo espiritual, cuidado pelos pobres e necessitados e acolhida dos maginalizados. E tudo isto baseado na adoração!”
Por fim, Francisco disse o que espera da Renovação. Em primeiro lugar, a conversão ao amor de Jesus. “Espero de vocês uma evangelização com a Palavra de Deus que anuncia que Jesus está vivo e ama todos os homens.” Em segundo lugar, dar testemunho de ecumenismo espiritual, de permanecer unidos no amor que Jesus pede a todos os homens. A seguir, a aproximação aos pobres e aos necessitados, para tocar em sua carne a carne ferida de Jesus. “Aproximem-se, por favor.”
O Pontífice concluiu com um apelo: “Busquem a unidade da Renovação, porque a unidade vem do Espírito Santo. A divisão vem do demônio. Fujam das lutas internas, por favor.”

Papa aceita renúncia de bispo alemão envolvido em polêmica

Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst deixa a diocese de Limburg após polêmica sobre gastos na construção de residência episcopal

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa aceita renúncia de bispo alemão envolvido em polêmica

O Papa Francisco aceitou nesta quarta-feira, 26, a renúncia do bispo de Limburg, Alemanha, Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst. Em outubro do ano passado, ele foi afastado temporariamente do ministério episcopalapós denúncias de que teria gastado mais de 30 milhões de euros (cerca de 90 milhões de reais) na construção da Sede episcopal de Limburg.

A renúncia do bispo é aceita em conformidade com o Código de Direito Canônico (Can 401, §2), que determina: “Roga-se instantemente ao Bispo diocesano que, em virtude da sua precária
saúde ou outra causa grave, se tenha tornado menos apto para o desempenho do seu ofício, que apresente a renúncia”.

No comunicado divulgado hoje em seu boletim, a Santa Sé explica que a Congregação para os Bispos estudou atentamente um relatório elaborado pela diocese alemã para proceder com as investigações sobre a responsabilidade envolvida na construção do Centro Diocesano “St. Nikolaus”.

“Considerando-se que na Diocese de Limburg chegou-se a determinar uma situação que impede um exercício fecundo do ministério por parte de Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, a Santa Sé aceitou a renúncia apresentada pelo bispo em 20 de outubro de 2013 e nomeou um administrador apostólico sede vacante na pessoa de Dom Manfred Grothe”, informa a nota.

A Santa Sé comunica ainda que Dom Tebartz-van Elst receberá em tempo oportuno um outro encargo.

“O Santo Padre pede ao clero e aos fiéis da diocese de Limburg que queiram acolher as decisões da Santa Sé com docilidade e queiram empenhar-se para reencontrar um clima de caridade e reconciliação”.

Vaticano afasta bispo alemão após denúncias

Papa aceita renúncia de bispo alemão envolvido em polêmica

A Santa Sé informou nesta quarta-feira, 23, que o bispo da diocese de Limburg, na Alemanha, Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, foi temporariamente afastado do ministério episcopal. A diocese será administrada pelo vigário geral, Padre Stadtdekan Wolfgang Rösch.

Segundo denúncias, Dom Franz-Peter teria gastado mais de 30 milhões de euros (cerca de 90 milhões de reais) na construção da Sede episcopal de Limburg.

O comunicado do Vaticano informa também que após a visita do Cardeal Giovanni Lajolo, realizada em setembro passado à Diocese, foi criada uma Comissão para realizar um “profundo exame das questões da construção da Sede Episcopal”.

A Comissão é composta por alguns bispos da Conferência Episcopal da Alemanha. Após analisar detalhadamente o caso, a Comissão informará o Vaticano sobre os gastos da Diocese.

O Comunicado ressalta que o Papa Francisco está acompanhando de perto as averiguações realizadas na Diocese alemã. Na última segunda-feira, 21, Dom Franz-Peter foi recebido pelo pontífice em visita privada no Vaticano.

As palavras de Francisco em discursos e homilias

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Em quase 160 discursos e mais de 200 homilias, Papa Francisco usou linguagem simples para abordar temas essenciais

Em um ano de pontificado, várias foram as mensagens de fé deixadas pelo Papa Francisco em seus quase 160 discursos e mais de 200 homilias. Em destaque, temas como a paz, diálogo inter-religioso, situação dos refugiados, dos pobres, a transmissão da fé. Foram falas revestidas por aquilo que Francisco vem enfatizando desde que foi eleito Bispo de Roma: a cultura do encontro.

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Em meio a tantas reflexões, algumas se destacaram pela ênfase dada pelo Santo Padre. Quem não se lembra da homilia marcante de Francisco na visita a Lampedusa em julho do ano passado. A ilha italiana recebe contínuos desembarques de migrantes, sobretudo provenientes da África, e sofre com naufrágios e conseqüentes mortes. Na ocasião, o Papa fez uma dura crítica ao que chamou de “globalização da indiferença”:

“A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, nos torna insensíveis ao grito dos outros, nos faz viver em bolhas de sabão, que são belas, mas são nada, são uma ilusão de futilidade, do provisório, que leva à indiferença para com os outros, leva até mesmo à globalização da indiferença” (Acesse íntegra da homilia)

Dificuldades sociais

Francisco também apresentou palavras enfáticas em seu discurso no Centro de Refugiados Astalli, em Roma.  Ele lamentou a situação de tantos refugiados que, ao buscarem um futuro melhor, acabam se deparando com situações de vida degradantes.

Já na visita a Cagliari, em 22 de setembro, o Papa mostrou sua preocupação com as dificuldades sociais, em especial a falta de trabalho.

“Onde não há trabalho, falta a dignidade! E este não é um problema unicamente da Sardenha (…) mas é a consequência de uma escolha mundial, de um sistema econômico que leva a esta tragédia; de um sistema econômico que tem no centro um ídolo, que se chama dinheiro”, disse o Papa em seu discurso no encontro com trabalhadores.

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Papa saúda população de Cagliari, na região italiana de Sardenha. Foto: Canção Nova Roma

Em homilia nesta mesma cidade italiana, o Santo Padre recorreu à imagem figurada do olhar de Maria para mostrar como os fiéis devem olhar para seu irmão e saber acolhê-lo em suas necessidades.

“Olhemo-nos de modo mais fraterno! Maria nos ensina a ter aquele olhar que busca acolher, acompanhar, proteger. Aprendamos a olhar-nos uns aos outros sob o olhar materno de Maria!” (Acesse íntegra da homilia)

Na visita a Assis, em outubro, a atenção com os pobres e um apelo para que o homem se livre do mundanismo, que leva à vaidade, ao orgulho, à arrogância. “Mundanismo espiritual mata! Ele mata a alma! Mata a pessoa! Mata a Igreja” (Acesse íntegra do discurso)

Transmissão da fé

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Na festa do Batismo do Senhor, Francisco enfatizou que pais e padrinhos devem transmitirem a fé às crianças / Foto: Arquivo-Reprodução CTV

Às vezes, o Papa fala muito em poucas palavras. Em janeiro deste ano, na Festa do Batismo do Senhor, Francisco fez uma homilia breve, mas deixou uma mensagem profunda sobre a importância do Batismo. Em uma única frase, ele resumiu sua mensagem aos pais e padrinhos presentes na celebração:

“Eu gostaria de dizer-vos somente isso: vocês são aqueles que transmitem a fé; vocês têm o dever de transmitir a fé a estas crianças. É a mais bela herança que vocês deixarão para elas: a fé! Somente isto” (Acesse a íntegra da homilia)

Dom da unidade

Reunido pela primeira vez com o corpo diplomático creditado junto à Santa Sé, em março de 2013, Francisco falou da pessoa do Papa como o homem que constroi pontes – “o Pontífice”.

“Desejo precisamente que o diálogo entre nós ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro, não um inimigo nem um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar” (Acesse a íntegra do discurso)

Ainda falando aos embaixadores, Francisco utilizou o tradicional encontro de início de ano, em 2014, com o corpo diplomático para destacar a preocupação com a violência e exortar, mais uma vez, à cultura do encontro. (Acesse a íntegra do discurso)

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