Catequese do Papa Francisco – 26/11/14

brasão_papafrancisco

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Um pouco bruto o dia, mas vocês são corajosos, parabéns! Esperamos rezar juntos hoje.

Ao apresentar a Igreja aos homens do nosso tempo, o Concílio Vaticano II tinha bem presente uma verdade fundamental, que não se pode nunca esquecer: a Igreja não é uma realidade estática, parada, com fim em si mesma, mas está continuamente em caminho na história, rumo à meta última e maravilhosa que é o Reino dos céus, do qual a Igreja na terra é a semente e o início (cfr. Conc. Ecum. Vat. II, Cost. dog. sobre a Igreja Lumen gentium, 5). Quando nos dirigimos para este horizonte, percebemos que a nossa imaginação bloqueia, revelando-se capaz apenas de intuir o esplendor do mistério que supera os nossos sentidos. E surgem espontaneamente em nós algumas perguntas: quando acontecerá esta passagem final? Como será a nova dimensão na qual a Igreja entrará? O que será, então, da humanidade? E da criação que nos circunda? Mas estas perguntas não são novas, os discípulos já as haviam feito a Jesus naquele tempo: “Mas quando isso acontecerá? Quando será o triunfo do Espírito sobre a criação, sobre o criado, sobre tudo…” São perguntas.  humanas, perguntas antigas. Também nós fazemos estas perguntas.

1. A Constituição conciliar gaugium et spes, diante dessas interrogações que ressoam desde sempre no coração do homem, afirma: “Ignoramos o tempo em que terão fim a terra e a humanidade, e não sabemos o modo em que será transformado o universo. Passa certamente o aspecto desse mundo, deformado pelo pecado. Sabemos, porém, pela Revelação, que Deus prepara uma nova habitação e uma terra nova, em que habita a justiça e cuja felicidade saciará abundantemente todos os desejos de paz que surgem no coração dos homens” (n. 39). Eis a meta à qual tende a Igreja: é, como diz a Bíblia, a “Nova Jerusalém”, o “Paraíso”. Mais que um lugar, trata-se de um “estado” da alma em que as nossas expectativas mais profundas serão realizadas de modo superabundante e o nosso ser, como criaturas e como filhos de Deus, chegará à plena maturidade. Seremos finalmente revestidos pela alegria, pela paz e pelo amor de Deus de modo completo, sem mais limite algum, e estaremos face a face com Ele! (cfr 1 Cor 13, 12). É belo pensar nisto, pensar no Céu. Todos nós nos encontraremos lá, todos. É belo, dá força à alma.

2. Nesta perspectiva, é belo perceber como há uma continuidade e uma comunhão de fundo entre a Igreja que está no Céu e aquela ainda em caminho na terra. Aqueles que já vivem na presença de Deus podem, de fato, nos apoiar e interceder por nós, rezar por nós. Por outro lado, também nós somos sempre convidados a oferecer obras boas, orações e a própria Eucaristia para aliviar a tribulação das almas que ainda estão à espera da beatitude sem fim. Sim, porque na perspectiva cristã, a distinção não é entre quem já está morto e quem ainda não está, mas entre quem está em Cristo e quem não o está! Este é o elemento determinante, realmente decisivo para a nossa salvação e para a nossa felicidade.

3. Ao mesmo tempo, a Sagrada Escritura nos ensina que a realização deste desígnio maravilhoso não pode não interessar também a tudo aquilo que nos circunda e que saiu do pensamento e do coração de Deus. O apóstolo Paulo o afirma de modo explícito, quando diz que “também a mesma criação será libertada da escravidão da corrupção, para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21). Outros textos utilizam a imagem do “céu novo” e da “terra nova” (cfr 2 Pe 3, 13; Ap 21, 1), no sentido de que todo o universo será renovado e será libertado uma vez para sempre de todo traço do mal e da própria morte. Aquela que se prospecta, como cumprimento de uma transformação que na realidade já está em ação a partir da morte e ressurreição de Cristo, é então uma nova criação; não, portanto, o aniquilamento do cosmo e de tudo aquilo que nos circunda, mas um levar cada coisa à sua plenitude de ser, de verdade, de beleza. Este é o desígnio que Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, desde sempre quer realizar e está realizando.

Queridos amigos, quando pensamos nestas realidades maravilhosas que nos esperam, percebemos o quanto pertencer à Igreja é realmente um dom maravilhoso, que traz inscrita uma vocação altíssima! Peçamos, então, à Virgem Maria, Mãe da Igreja, para vigiar sempre sobre o nosso caminho e nos ajudar a ser, como ela, sinal alegre de confiança e de esperança em meio aos nossos irmãos.

Anúncios

Texto inédito do Papa Bento XVI publicado por ocasião do 50º Aniversário do início do Concílio Vaticano II

Foi um dia maravilhoso aquele 11 de Outubro de 1962 quando, com a entrada solene de mais de dois mil Padres conciliares na Basílica de São Pedro em Roma, se abriu o Concílio Vaticano II. Em1931, Pio XI colocara no dia 11 de Outubro a festa da Maternidade Divina de Maria, em recordação do facto que mil e quinhentos anos antes, em 431, o Concílio de Éfeso tinha solenemente reconhecido a Maria esse título, para expressar assim a união indissolúvel de Deus e do homem em Cristo. O Papa João XXIII fixara o início do Concílio para tal dia com o fim de confiar a grande assembleia eclesial, por ele convocada, à bondade materna de Maria e ancorar firmemente o trabalho do Concílio no mistério de Jesus Cristo. Foi impressionante ver entrar os bispos provenientes de todo o mundo, de todos os povos e raças: uma imagem da Igreja de Jesus Cristo que abraça todo o mundo, na qual os povos da terra se sentem unidos na sua paz.

Foi um momento de expectativa extraordinária pelas grandes coisas que deviam acontecer. Os concílios anteriores tinham sido quase sempre convocados para uma questão concreta à qual deviam responder; desta vez, não havia um problema particular a resolver. Mas, por isso mesmo, pairava no ar um sentido de expectativa geral: o cristianismo, que construíra e plasmara o mundo ocidental, parecia perder cada vez mais a sua força eficaz. Mostrava-se cansado e parecia que o futuro fosse determinado por outros poderes espirituais. Esta percepção do cristianismo ter perdido o presente e da tarefa que daí derivava estava bem resumida pela palavra «actualização»: o cristianismo deve estar no presente para poder dar forma ao futuro. Para que pudesse voltar a ser uma força que modela o porvir, João XXIII convocara o Concílio sem lhe indicar problemas concretos ou programas. Foi esta a grandeza e ao mesmo tempo a dificuldade da tarefa que se apresentava à assembleia eclesial.

Obviamente, cada um dos episcopados aproximou-se do grande acontecimento com ideias diferentes. Alguns chegaram com uma atitude mais de expectativa em relação ao programa que devia ser desenvolvido. Foi o episcopado do centro da Europa – Bélgica, França e Alemanha – que se mostrou mais decidido nas ideias. Embora a ênfase no pormenor se desse sem dúvida a aspectos diversos, contudo havia algumas prioridades comuns. Um tema fundamental era a eclesiologia, que devia ser aprofundada sob os pontos de vista da história da salvação, trinitário e sacramental; a isto vinha juntar-se a exigência de completar a doutrina do primado do Concílio Vaticano I através duma valorização do ministério episcopal. Um tema importante para os episcopados do centro da Europa era a renovação litúrgica, que Pio XII já tinha começado a realizar. Outro ponto central posto em realce, especialmente pelo episcopado alemão, era o ecumenismo: o facto de terem suportado juntos a perseguição da parte do nazismo aproximara muito os cristãos protestantes e católicos; agora isto devia ser compreendido e levado por diante a nível de toda a Igreja. A isto acrescentava-se o ciclo temático Revelação-Escritura-Tradição-Magistério. Entre os franceses, foi sobressaindo cada vez mais o tema da relação entre a Igreja e o mundo moderno, isto é, o trabalho sobre o chamado «Esquema XIII», do qual nasceu depois aConstituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo. Atingia-se aqui o ponto da verdadeira expectativa suscitada pelo Concílio. A Igreja, que ainda na época barroca tinha em sentido lato plasmado o mundo, a partir do século XIX entrou de modo cada vez mais evidente numa relação negativa com a era moderna então plenamente iniciada. As coisas deviam continuar assim? Não podia a Igreja cumprir um passo positivo nos tempos novos? Por detrás da vaga expressão «mundo de hoje», encontra-se a questão da relação com a era moderna; para a esclarecer, teria sido necessário definir melhor o que era essencial e constitutivo da era moderna. Isto não foi conseguido no «Esquema XIII». Embora a Constituição pastoral exprima muitas elementos importantes para a compreensão do «mundo» e dê contribuições relevantes sobre a questão da ética cristã, no referido ponto não conseguiu oferecer um esclarecimento substancial.

Inesperadamente, o encontro com os grandes temas da era moderna não se dá na grande Constituição pastoral, mas em dois documentos menores, cuja importância só pouco a pouco se foi manifestando com a recepção do Concílio. Trata-se antes de tudo da Declaração sobre a liberdade religiosa, pedida e preparada com grande solicitude sobretudo pelo episcopado americano. A doutrina da tolerância, tal como fora pormenorizadamente elaborada por Pio XII, já não se mostrava suficiente face à evolução do pensamento filosófico e do modo se concebia como o Estado moderno. Tratava-se da liberdade de escolher e praticar a religião e também da liberdade de mudar de religião, enquanto direitos fundamentais na liberdade do homem. Pelas suas razões mais íntimas, tal concepção não podia ser alheia à fé cristã, que entrara no mundo com a pretensão de que o Estado não poderia decidir acerca da verdade nem exigir qualquer tipo de culto. A fé cristã reivindicava a liberdade para a convicção religiosa e a sua prática no culto, sem com isto violar o direito do Estado no seu próprio ordenamento: os cristãos rezavam pelo imperador, mas não o adoravam. Sob este ponto de vista, pode-se afirmar que o cristianismo, com o seu nascimento, trouxe ao mundo o princípio da liberdade de religião. Todavia a interpretação deste direito à liberdade no contexto do pensamento moderno ainda era difícil, porque podia parecer que a versão moderna da liberdade de religião pressupusesse a inacessibilidade da verdade ao homem e, consequentemente, deslocasse a religião do seu fundamento para a esfera do subjectivo. Certamente foi providencial que, treze anos depois da conclusão do Concílio, tivesse chegado o Papa João Paulo II de um país onde a liberdade de religião era contestada pelo marxismo, ou seja, a partir duma forma particular de filosofia estatal moderna. O Papa vinha quase duma situação que se parecia com a da Igreja antiga, de modo que se tornou de novo visível o íntimo ordenamento da fé ao tema da liberdade, sobretudo a liberdade de religião e de culto.

O segundo documento, que se havia de revelar depois importante para o encontro da Igreja com a era moderna, nasceu quase por acaso e cresceu com sucessivos estratos. Refiro-me à declaraçãoNostra aetate, sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs. Inicialmente havia a intenção de preparar uma declaração sobre as relações entre a Igreja e o judaísmo – um texto que se tornou intrinsecamente necessário depois dos horrores do Holocausto (shoah). Os Padres conciliares dos países árabes não se opuseram a tal texto, mas explicaram que se se queria falar do judaísmo, então era preciso dedicar também algumas palavras ao islamismo. Quanta razão tivessem a este respeito, só pouco a pouco o fomos compreendendo no ocidente. Por fim cresceu a intuição de que era justo falar também doutras duas grandes religiões – o hinduísmo e o budismo – bem como do tema da religião em geral. A isto se juntou depois espontaneamente uma breve instrução relativa ao diálogo e à colaboração com as religiões, cujos valores espirituais, morais e socioculturais deviam ser reconhecidos, conservados e promovidos (cf. n. 2). Assim, num documento específico e extraordinariamente denso, inaugurou-se um tema cuja importância na época ainda não era previsível. Vão-se tornando cada vez mais evidentes tanto a tarefa que o mesmo implica como a fadiga ainda necessária para tudo distinguir, esclarecer e compreender. No processo de recepção activa, foi pouco a pouco surgindo também uma debilidade deste texto em si extraordinário: só fala da religião na sua feição positiva e ignora as formas doentias e falsificadas de religião, que têm, do ponto de vista histórico e teológico um vasto alcance; por isso, desde o início, a fé cristã foi muito crítica em relação à religião, tanto no próprio seio como no mundo exterior.

Se, ao início do Concílio, tinham prevalecido os episcopados do centro da Europa com os seus teólogos, nas sucessivas fases conciliares o leque do trabalho e da responsabilidade comuns foi-se alargando cada vez mais. Os bispos reconheciam-se aprendizes na escola do Espírito Santo e na escola da colaboração recíproca, mas foi precisamente assim que se reconheceram servos da Palavra de Deus que vivem e trabalham na fé. Os Padres conciliares não podiam nem queriam criar uma Igreja nova, diversa. Não tinham o mandato nem o encargo para o fazer: eram Padres do Concílio com uma voz e um direito de decisão só enquanto bispos, quer dizer em virtude do sacramento e na Igreja sacramental. Então não podiam nem queriam criar uma fé diversa ou uma Igreja nova, mas compreendê-las a ambas de modo mais profundo e, consequentemente, «renová-las» de verdade. Por isso, uma hermenêutica da ruptura é absurda, contrária ao espírito e à vontade dos Padres conciliares.

No cardeal Frings, tive um «pai» que viveu de modo exemplar este espírito do Concílio. Era um homem de significativa abertura e grandeza, mas sabia também que só a fé guia para se fazer ao largo, para aquele horizonte amplo que resta impedido ao espírito positivista. É esta fé que queria servir com o mandato recebido através do sacramento da ordenação episcopal. Não posso deixar de lhe estar sempre grato por me ter trazido – a mim, o professor mais jovem da Faculdade teológica católica da universidade de Bonn – como seu consultor na grande assembleia da Igreja, permitindo que eu estivesse presente nesta escola e percorresse do interior o caminho do Concílio. Este livro reúne os diversos escritos, com os quais pedi a palavra naquela escola; trata-se de pedidos de palavra totalmente fragmentários, dos quais transparece o próprio processo de aprendizagem que o Concílio e a sua recepção significaram e ainda significam para mim. Em todo o caso espero que estes vários contributos, com todos os seus limites, possam no seu conjunto ajudar a compreender melhor o Concílio e a traduzi-lo numa justa vida eclesial. Agradeço sentidamente ao arcebispo Gerhard Ludwig Müller e aos colaboradores do Institut Papst Benedikt XVI pelo extraordinário compromisso que assumiram para realizar este livro.

Como deve ser o “Ano da Fé”?

Imagem de Destaque

O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão.
É data que marcou o início do Concílio Vaticano II, em 1962. O Papa convocou o Sínodo dos Bispos no mês de outubro de 2012 que terá como tema: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, e que abrirá o “Ano da Fé”, que irá até a Festa de Cristo Rei, em novembro de 2013. É a Igreja cumprindo a missão que Jesus lhe deu: “Ide evangelizar!”.  A missão da Igreja é esta; Paulo VI disse que esta é a identidade e a missão da Igreja. Para a Igreja deixar de evangelizar seria como para o sol deixar de brilhar.

O Vaticano tem dado orientações de como deve ser este Ano especial. “O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão renovada ao Senhor Jesus e à redescoberta da fé…”. A “Congregação da Fé” destaca que hoje é necessário um empenho maior a favor duma Nova Evangelização (“novo ardor, novos métodos e nova expressão”), para crer, reencontrar e comunicar a fé.

Recordando o 50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II, destaca que no Ano da Fé devem-se encorajar as romarias dos fiéis ao Vaticano, bem como à Terra Santa. O papel especial de Maria no mistério da salvação deverá ser ressaltado, e recomenda também  romarias, celebrações e encontros nos maiores Santuários Marianos no mundo.


Assista também: “Marco do Séc. XX: O Concílio Vaticano II”, com prof. Felipe Aquino 


A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro deverá ser um evento de destaque dentro do Ano da Fé, uma “ocasião privilegiada aos jovens para experimentar a alegria que provém da fé no Senhor Jesus e da comunhão com o Santo Padre, na grande família da Igreja”. Sejam organizados simpósios, congressos e encontros de grande porte, a nível paroquiano, diocesano e internacional, que favoreçam o encontro com testemunhos da fé e o conhecimento da doutrina católica. Neste sentido o Vaticano pede que os fiéis se aprofundem no conhecimento dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica, o que vale de modo particular “para os candidatos ao sacerdócio”.

O Vaticano deseja que haja celebração de abertura do Ano da Fé e uma solene conclusão do mesmo a nível de cada Igreja particular. E em cada diocese do mundo deverá ser preparada uma jornada sobre o Catecismo da Igreja Católica.  Também é pedido que neste Ano da Fé os fiéis  acolham com maior atenção as homilias, as catequeses, os discursos e as outras intervenções do Papa. “Cada Bispo poderá dedicar uma sua Carta pastoral ao tema da fé, recordando a importância do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja”.

No período da quaresma, haja celebrações penitenciais para se pedir perdão a Deus, em particularmente pelos pecados contra a fé; e que haja maior frequência ao sacramento da Penitência. “As novas Comunidades e os Movimentos eclesiais, de modo criativo e generoso, saberão encontrar os modos mais adequados para oferecer o próprio testemunho de fé ao serviço da Igreja”.

 

Foto Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino @pfelipeaquino, é casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”. Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: http://www.cleofas.com.br

 

Todo cristão é chamado a ser missionário

 

Todo batizado é missionário. O Concílio Vaticano II, que completa 50 anos em 2012, colocou esse aspecto de forma muito clara, ao afirmar no Decreto Ad Gentes que todos os fiéis, como membros de Cristo, têm por obrigação “colaborar no crescimento e na expansão do Seu corpo para o levar a atingir, quanto antes, a sua plenitude” (n 36).
Essa necessidade de se inserir na ação missionária é enfatizada em especial neste mês de outubro, período celebrado pela Igreja como o mês missionário. Para aprofundar um pouco mais sobre o trabalho missionário na Igreja, o noticias.cancaonova.com preparou uma série de reportagens especiais que serão disponibilizadas durante toda essa semana.

Ao longo deste mês, a Igreja recorda aqueles que têm essa missão de transmitir a fé. Um apelo sempre urgente, pois, como destaca a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões, “aumentou o número daqueles que ainda não conhecem Cristo”.

“Não podemos ficar tranquilos, ao pensar nos milhões de irmãos e irmãs nossas, também eles redimidos pelo sangue de Cristo, que ignoram ainda o amor de Deus”, foi o que disse o Beato João Paulo II na Encíclica Redemptoris missio.

Ao proclamar o Ano da Fé, Bento XVI, escreveu que Cristo “hoje, como outrora, envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra”.

Em muitos lugares do mundo se celebra apenas o Dia Mundial das Missões, no 3º domingo deste mês, mas no Brasil, todo o mês é festivo, e a cada ano com uma temática própria.

“O tema desse ano é ‘Brasil Missionário, partilha tua fé’, e todo um material foi preparado para os fiéis, com uma novena e um DVD com entrevistas de missionários brasileiros que trabalham em outros continentes”, explicou o presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária da CNBB, Dom Sérgio Braschi.

A essa missão de levar o Evangelho além-fronteiras, dá-se o nome de Ad Gentes. “É uma vocação específica – explica Dom Sérgio – temos aí os padres diocesanos Fidei Donum (dons da Fé), os padres de congregações religiosas, irmãos de congregações missionárias, como os Xaverianos, os Combonianos, os Vicentinos, Franciscanos, Capuchinhos, Jesuístas, etc. Temos também as religiosas e hoje, muitos leigos e leigas, jovens e até casais, famílias, que dão um tempo de sua vida em uma missão, na África, Ásia, Oceania, ou mesmo aqui dentro do país, nas Igrejas irmãs da Amazônia ou em outros lugares onde há mais falta de evangelização”.

No entanto, o bispo explica que há também a missão ad intra, que, seria a missão dentro da própria comunidade. “Digamos, ter aquele espírito de sair e ir visitar as pessoas, ir ao encontro das pessoas que estão afastadas da Igreja”.

Todo o povo de Deus pode contribuir com a missão evangelizadora da Igreja também a partir do próprio testemunho de vida, como destaca o Decreto Ad Gentes. “Todos os filhos da Igreja tenham consciência viva das suas responsabilidades para com o mundo, fomentem em si um espírito verdadeiramente católico e ponham as suas forças ao serviço da obra da evangelização. Saibam todos, porém, que o primeiro e mais irrecusável contributo para a difusão da fé é viver profundamente a vida cristã” (n 36).

Discurso do Papa aos participantes do Concílio Vaticano II

     
DISCURSO
Encontro com alguns bispos que participaram do Concílio Vaticano II como Padres conciliares, Patriarcas e arcebispos das Igrejas Católicas Orientais e presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo
Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano
Sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Venerados e caros irmãos,

Nós nos encontramos hoje, depois da solene celebração que ontem nos reuniu na Praça São Pedro. A saudação cordial e fraterna que ora desejo vos oferecer vem da comunhão profunda que só a Celebração eucarística é capaz de criar. Nessa se tornam visíveis, quase tangíveis, aqueles vínculos que nos une enquanto membros do Colégio episcopal, reunidos com o Sucessor de Pedro. 

Em vossas faces, caros Patriarcas e Arcebispos das Igrejas orientais católicas, caros Presidentes das Conferências Episcopais do mundo, vejo também as centenas de bispos que em todas as regiões da terra estão empenhados no anúncio do Evangelho e no serviço da Igreja e do homem, em obediência ao mandato recebido de Cristo. Mas uma saudação particular quero dirigir hoje a vós, caros Irmãos que tiveram a graça de participar como Padres no Concílio Ecumênico Vaticano II. Agradeço ao Cardeal Arinze, que expressou vossos sentimentos, e neste momento tenho presente na oração e no afeto o grupo inteiro – quase setenta – de bispos ainda vivos que tomaram parte dos trabalhos conciliares. Na resposta ao convite para esta comemoração, à qual não puderam estar presente por causa da idade avançada e da saúde, muitos deles lembraram com palavras comoventes aqueles dias, assegurando a união espiritual neste momento, também com a oferta de seus sofrimentos.

São tantas as recordações que emergem da nossa mente e que todo mundo gravou bem no coração daquele período tão vivo, rico e fecundo que foi o Concílio; não quero, porém, estender-me demais, mas – retomando alguns elementos da minha homilia de ontem – gostaria de recordar somente como uma palavra, lançada pelo Beato João XXIII quase de modo programático, retornava continuamente nos trabalhos conciliares: a palavra “atualização”. 

Após cinquenta anos da abertura daquela solene Assembleia da Igreja, qualquer um se perguntará se essa expressão não foi, talvez desde o início, não de todo feliz. Penso que sobre a escolha das palavras poderia-se discutir por horas e se encontrariam opiniões continuamente conflitantes, mas estou convencido de que a intuição que o Beato João XXIII resumiu com esta palavra tem sido e ainda é precisa. O Cristianismo não deve ser considerado como “algo do passado”, nem deve ser visto com o olhar perenemente voltado “para trás”, porque Jesus Cristo é ontem, hoje e por toda a eternidade (cfr Eb 13,8). O Cristianismo é marcado pela presença do Deus eterno, que entrou no tempo e está presente em todo o tempo, para que cada tempo surja do seu poder criador, do seu eterno “hoje”. 

Por isso o Cristianismo é sempre novo. Não devemos nunca vê-lo como um árvore totalmente desenvolvida a partir da semente de mostarda evangélica, que cresceu, deu os seus frutos, e um belo dia envelhece e chega ao fim da sua energia vital. O Cristianismo é uma árvore que está, por assim dizer, em perene “aurora”, é sempre jovem. E esta realidade, esta “atualização” não significa rompimento com a tradição, mas exprime a contínua vitalidade; não significa reduzir a fé, reduzindo-a à moda dos tempos, ao medidor que nos agrada, que agrada à opinião pública, mas é o contrário: exatamente como fizeram os Padres conciliares, devemos trazer o “hoje” que vivemos na medida do acontecimento cristão, devemos levar o “hoje” de nosso tempo no “hoje” de Deus.

O Concílio foi um tempo de graça no qual o Espírito Santo nos ensinou que a Igreja, no seu caminho ao longo da história, precisa sempre falar ao homem contemporâneo, mas isso só pode acontecer pelo poder daqueles que têm raízes profundas em Deus, deixam-se guiar por Ele e vivem com pureza a própria fé; não vem daqueles que estão se adaptando ao tempo que passa, daqueles que escolhem o caminho mais cômodo. O Concílio tinha bem claro, quando na Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, no número 49, afirmou que todos na Igreja são chamados à santidade, segundo os dizeres do Apóstolo Paulo “Esta, de fato, é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts 4,3): a santidade mostra a verdadeira face da Igreja, faz entrar no “hoje” eterno de Deus no “hoje” da nossa vida, no “hoje” do homem da nossa época.

Caros irmãos no Episcopado, a memória do passado é preciosa, mas nunca é um fim em si mesma. O Ano da Fé que iniciamos ontem nos sugere o melhor modo de recordar e comemorar o Concílio: concentrar-nos sobre o coração da sua mensagem, que nada mais é do que a mensagem da fé em Cristo, único Salvador do mundo, proclamada ao homem do nosso tempo. Também hoje aquilo que é importante e essencial é levar o raio do amor de Deus ao coração e à vida de cada homem e de cada mulher, e levar os homens e as mulheres de cada lugar e de cada época a Deus. Desejo sinceramente que todas as Igrejas particulares encontrem, na celebração deste Ano, a ocasião para o sempre necessário retorno à fonte viva do Evangelho, ao encontro transformador com a pessoa de Jesus Cristo. Obrigado.



 

Abrindo o Ano da Fé

Iniciamos ontem 11 de outubro de 2012, o Ano da Fé, inaugurado solenemente em Roma pelo Papa Bento XVI, em ocasião da comemoração do jubileu da abertura do Concílio Vaticano II. que pretende a Igreja com este ano temático em torno desta virtude teológica e grandiosa sem a qual não podemos agradar a Deus. Será um momento para ir as fontes do ato da fé, a ” Porta Fidei” aos inícios e a raiz da nossa crença. Muitas vezes podemos viver com o piloto automático, decidindo coisas vitais seguindo as consequências da fé ou suas causas segundas, mas não a experiência central e decisiva do encontro pessoal com Jesus Cristo o Salvador. Ainda nossa fé pode ser fragmentada e incompleta, faltando dimensões ou comprometimento. Pode estar reduzida a simples práticas piedosas ou rituais sem gerar comunhão e amor eficaz. Queremos aproveitar este ano, para mergulhar no mistério e vivência da fé, torná-la mais testemunhal e apostólica. É necessário também crescer no conhecimento e inteligência da fé, desenvolvendo com o vigésimo aniversário do Catecismo aprovado por João Paulo II, um aprofundamento sistemático da doutrina para saber dar razões da nossa esperança. Fé que deve ser partilhada e dialogada com nossos irmãos não católicos fazendo acontecer o ecumenismo. Seguimento de Cristo que passa pela confissão pública e que tem incidência social, transformando estruturas e relacionamentos, gerando cidadania responsável e solidária. O maior escândalo de nosso tempo e a separação da fé com a vida, como explicar a absurda e terrível contradição de um cristão praticar a prostituição política, comprando ou vendendo votos. Fé que nos impulsiona para a vida eterna, que é conhecer e viver com o Pai, que anseia o Paraíso, mas que quer levar o máximo de pessoas para lá, pois é uma força que torna zelosos pela salvação de todos. Que neste ano nossas comunidades consigam crescer e amadurecer na fé, que cada um possa blindar a fé da sua família, tornando-a uma pequena Igreja, e que sejamos com Maria e como Maria, peregrinos eternos da fé. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz – Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes ,12 de Outubro de 2012.

 

Papel da mulher na Igreja é tema do Sínodo nesta quarta-feira

Na manhã desta quarta-feira, 10, terceiro dia de atividades do Sínodo geral sobre a nova evangelização, os trabalhos, em andamento no Vaticano, se realizaram a portas fechadas. Na programação, a primeira sessão dos círculos menores e, na parte da tarde, retomada a discussão geral com o pronunciamento do arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams, para ilustrar o desafio da nova evangelização do ponto de vista anglicano.

Verbum Domini

Na tarde de terça-feira, por sua vez, grande destaque para o amplo pronunciamento do prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet. De fato, o purpurado apresentou um relatório sobre o acolhimento, no mundo, da Exortação apostólica de Bento XVI “Verbum Domini”, publicada dois anos atrás e fruto do Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, realizado em 2008.

Mais de 200 mil cópias difundidas em várias línguas: a difusão da Verbum Domini foi ampla no mundo inteiro. Mas o elemento de maior satisfação encontra-se no entusiasmo crescente dos fiéis pela Lectio Divina, sempre mais praticada nos ambientes mais diversificados, explicou o Cardeal Ouellet.

Ademais, percursos formativos são oferecidos pelas dioceses ou pelas comunidades para apoiar esse modo de encontrar Deus mediante a Sagrada Escritura.

Outros resultados positivos encontram-se na animação bíblica, sobretudo nas paróquias: o purpurado destacou numerosas Semanas ou Anos bíblicos organizados pelas Igrejas locais, bem como eventos de literatura ininterrupta da Palavra de Deus.

Destaque também para a iniciativa dos bispos estadunidenses que fizeram um guia homilético para sacerdotes e diáconos como resposta à Verbum Domini. Organizou-se também um Festival da pregação.

Também o setor científico expressou apreço pela Exortação apostólica, definida “o mais importante documento eclesial sobre a Sagrada Escritura após o Vaticano II, e que levou a um crescimento da colaboração entre pastores, teólogos e exegetas, contribuindo também para o acolhimento do livro do Papa dedicado a Jesus de Nazaré.

Foi também central a reflexão teológica e antropológica da Exortação apostólica, que afirma: o homem foi criado pela Palavra de Deus e é, portanto, filho de Deus em Cristo.

Por fim, o Cardeal Ouellet colocou a Verbum Domini em estreita relação com a nova evangelização: de fato, a Exortação apostólica se conclui com uma oração a fim de que o Espírito Santo suscite “zelosos anunciadores e testemunhas do Evangelho”, tema principal do Sínodo atual.

Mulheres na Igreja

Ainda na tarde desta terça-feira, a Assembléia dos bispos refletiu sobre numerosos temas, dentre os quais o papel das mulheres: na Igreja – afirmou-se na Sala do Sínodo – elas representam dois terços do total de membros e, no entanto, muitas delas se sentem discriminadas.

Mas é preciso afirmar com clareza – reiterou o Sínodo – que se a Igreja não faz a ordenação sacerdotal de mulheres, não é porque elas são menos capazes ou menos dignas, mas somente porque o sacerdote é um representante de Cristo, vindo para esposar a humanidade.

Em seguida, destacou-se como fundamental a contribuição consistente das mulheres para a evangelização, e gestos fortes deveriam indicar isso claramente, porque – ressaltaram os Padres sinodais – sem mulheres felizes, reconhecidas em sua essência e orgulhosas de sua pertença à Igreja, não haverá a nova evangelização.

Fé e cultura

O Sínodo recordou, ainda, a importância da nova evangelização também no âmbito ecológico – porque ela implica o respeito por todos os seres vivos – e do diálogo entre fé e cultura, na busca de pontos de encontro com aqueles que estão abertos à verdade e comprometidos na busca do bem comum.

Nesse sentido, uma grande ajuda é dada pelas paróquias, que não devem ser somente centros de serviços espirituais, mas devem “constituir redes” a fim de que as comunidades e os grupos de fiéis se sintam realmente discípulos missionários de Cristo.

O desafio, no fundo, é fazer compreender ao mundo que a fé cristã não está em contradição com a razão humana. Daí, a exortação a evangelizar mediante um testemunho de fé que ajude o homem a enfrentar, por exemplo, o drama da morte graças a uma cultura da vida que explique o seu sentido.

A esse propósito, os Padres sinodais recordaram as palavras do Cardeal Emmanuel Célestin Suhard, iniciador da missão na França: “Não se trata de obrigar o mundo a entrar na Igreja assim como ela é, mas de fazer uma Igreja capaz de acolher o mundo assim como ele é”.

Documentário sobre o Concílio Vaticano II 

Por fim, no início da noite foi feita na Sala do Sínodo uma projeção especial: os participantes da Assembléia assistiram a uma versão sintética do documentário-filme sobre o Concílio Vaticano II, realizado pelo Pontifício Conselho das Comunicações Sociais e por Micromegas Comunicação, graças às imagens inéditas da Filomteca Vaticana.

A distribuição mundial do documentário será feita a partir desta quinta-feira, 11, dia da abertura do Ano da Fé, convocado por Bento XVI justamente para comemorar o 50º aniversário conciliar.

Leia mais
.: Sínodo 2012: a questão que está em jogo 
.: Instrumento de trabalho para o Sínodo dos Bispos é apresentado 
.: Outras notícias sobre o Sínodo