Regina Coeli: Papa Francisco convida a rezar esta oração ao Espírito Santo

VATICANO, 01 Mai. 16 / 09:15 am (ACI).- Antes de rezar o Regina Coeli deste 1º de maio, sexto Domingo de Páscoa, o Papa Francisco explicou aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro a missão confiada ao Espírito Santo e, por isso, ensinou uma breve oração ao Paráclito para recitar todos os dias antes de ler o Evangelho.

Da janela do Palácio Apostólico, o Santo Padre disse que um dos aspectos da missão do Espírito Santo é ajudar a recordar as palavras de Jesus para colocá-las m prática. Portanto, “quando lê todos os dias – como já vos aconselhei –uma passagem do Evangelho, peça ao Espírito Santo: ‘Que eu entenda e que eu recorde estas palavras de Jesus’. E depois ler a passagem, todos os dias… Mas antes aquela oração ao Espírito Santo, que está em nosso coração: ‘Que eu recorde e que eu entenda’”.

Francisco fez este convite à reflexão sobre o Evangelho no domingo em que “o Evangelho deste domingo nos conduz ao cenáculo”, onde Jesus, antes de enfrentar sua paixão e morte na cruz “promete aos Apóstolos o dom do Espírito Santo, que terá a tarefa de ensinar e recordar as suas palavras à comunidade dos discípulos”.

“Jesus mesmo diz: ‘O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele lhes ensinará todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse. Ensinar e recordar. Isso é o que o Espírito Santo faz no nosso coração”, reiterou o Papa.

“No momento em que Ele está para retornar ao Pai, Jesus preanuncia a vinda do Espírito que primeiramente ensinará aos discípulos a compreender cada vez mais plenamente o Evangelho, a acolhê-lo em sua existência e a fazê-lo vivo e operante com o testemunho”.

“Enquanto está para confiar aos Apóstolos – que significa ‘enviados’ – a missão de levar o anúncio do Evangelho a todo o mundo, Jesus promete que não estarão sozinhos: estará com eles o Espírito Santo, o Paráclito, que ficará ao lado deles, aliás, estará neles, para defendê-los e sustentá-los. Jesus retorna ao Pai, mas continua acompanhando e ensinando os seus discípulos por meio do dom Espírito”, explicou.

Em seguida, disse que “o segundo aspecto da missão do Espírito Santo consiste em ajudar os apóstolos a recordar as palavras de Jesus. O Espírito tem a tarefa de despertar a memória, recordar as palavras de Jesus. O divino Mestre já comunicou tudo aquilo que pretendia confiar aos Apóstolos: com Ele, Verbo encarnado, a revelação é completa”.

“O Espírito recordará os ensinamentos de Jesus nas diversas circunstâncias concretas da vida para que sejam colocados em prática. Isto acontece ainda hoje na Igreja, guiada pela luz e pela forca do Espírito Santo, para que possa levar a todos o dom da salvação, isto é, o amor e a misericórdia de Deus”, assinalou.

“Nós não estamos sozinhos: Jesus esta perto de nós, no meio de nós, dentro de nós”, assegurou Francisco e explicou que a nova presença de Cristo “na história se realiza mediante o Espírito Santo, através do qual e possível instaurarem uma relação viva com Ele, o Senhor Ressuscitado”.

O Papa disse que “o Espírito, derramado em nós com os Sacramentos doBatismo e da Crisma, age na nossa vida. Ele nos guia no modo de pensar, de agir, de distinguir aquilo que é bem e o que e mal, nos ajuda a praticar a caridade de Jesus, o seu doar-se aos outros, especialmente aos mais necessitados”.

“Não estamos sós! E o sinal da presença do Espírito Santo é também a paz que Jesus doa aos seus discípulos: ‘Eu lhes dou a minha paz’”, assinalou o Pontífice.

Explicou que a paz de Jesus “é diferente daquela que os homens se desejam e tentam realizar. A paz de Jesus jorra da vitória sobre o pecado, sobre o egoísmo que nos impede de nos amar como irmãos. É dom de Deus e sinal da sua presença. Cada discípulo, chamado hoje a seguir Jesus levando a cruz, recebe em si a paz do Senhor Ressuscitado na certeza da sua vitória e na espera de sua vinda definitiva”.

Por fim, ele pediu à Virgem Maria que “nos ajude a acolher o Espírito Santo com docilidade, como Mestre interior e como Memória viva de Cristo no caminho cotidiano”.

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Angelus com o Papa Francisco-1701/2016

brasão do Papa Francisco

 

 

 

 

ANGELUS COM PAPA FRANCISCO

Domingo,17 de Janeiro de 2016

Vaticano, Praça de São Pedro

Caros irmãos e irmãs,

O Evangelho deste domingo apresenta o evento prodigioso acontecido em Caná, um vilarejo da Galileia, durante as bodas em que participaram também Maria e Jesus, com os seus primeiros discípulos. A Mãe faz o filho perceber que falta vinho e, Jesus, depois de ter respondido que ainda não tinha chegado a sua hora, atende o pedido da Mãe e doa aos esposos o melhor vinho de toda a festa.

O Evangelista destaca que “este foi o início dos sinais cumpridos por Jesus, Ele manifestou a sua glória e seus discípulos acreditaram nele”. Os milagres, então, são sinais extraordinários que acompanham a pregação da Boa Nova e têm o objetivo de suscitar ou reforçar a fé em Cristo. No milagre acontecido em Caná, podemos ver um ato de benevolência de Jesus para com os esposos, um sinal da benção de Deus sobre o matrimonio. O amor entre homem e mulher é uma boa estrada para viver o Evangelho, ou seja, para percorrer com alegria a via da santidade.

Mas o milagre de Caná não diz respeito somente aos esposos. Toda pessoa humana é chamada a encontrar o Senhor como Esposo da sua vida. A fé cristã é um dom que recebemos com o Batismo e que nos permite encontrar Deus. A fé perpassa tempos de alegria e de dor, de luz e de obscuridade, como em toda autêntica experiência de amor.

A história das bodas de Caná nos convida a redescobrir que Jesus não se apresenta a nós como um juiz pronto a condenar as nossas culpas, tampouco como um comandante que impõe que sigamos cegamente as suas ordens; se apresenta como Esposo da humanidade: como Aquele que responde as expectativas e promessas de alegria que moram no coração de cada um de nós.

Então, podemos nos perguntar: realmente conheço o Senhor assim? Sinto-O como Esposo da minha vida? Lhe estou respondendo à altura o amor que Ele manifesta todos os dias a mim e a todos os seres humanos?

Trata-se de perceber que Jesus nos procura e nos convida a dar-lhe espaço no íntimo de nosso coração. E neste caminho de fé com Ele não ficamos sozinhos: recebemos o dom do Sangue de Cristo.

As grandes ânforas de pedra cheias de água que Jesus transforma em vinho são sinal da passagem da antiga à nova aliança: no lugar da água usada para a purificação ritual, recebemos o Sangue de Jesus, derramado de maneira sacramental na Eucaristia e de modo cruel na Paixão e na Cruz. Os Sacramentos, que brotam do Mistério Pascal, infundem em nós a força sobrenatural e nos permite de experimentar a misericórdia infinita de Deus.

A Virgem Maria, modelo de meditação da palavra e dos gestos do Senhor, nos ajude a redescobrir com fé a beleza e a riqueza da Eucaristia e dos outros Sacramentos, que tornam presente o amor fiel de Deus para nós. Poderemos assim enamorar-nos sempre mais do Senhor Jesus, nosso Esposo, e ir ao Seu encontro com as lâmpadas acesas da nossa fé alegre, sendo assim seus testemunhos no mundo.

 

Leia a íntegra do Angelus com o Papa Francisco – 11/10/2015

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Angelus
Praça São Pedro – Vaticano
11 de outubro de 2015

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje, extraído do capítulo 10 de Marcos, é articulado em três episódios, inspirados em três olhares de Jesus.

O primeiro episódio apresenta o encontro entre o Mestre e um tal que – de acordo com o trecho paralelo de Mateus – é identificado como “jovem”. Este corre em direção a Jesus, ajoelha-se e o chama de “Mestre bom”. Então, pergunta: “O que devo fazer para herdar a vida eterna?”.

“Vida eterna não é somente a vida do outro lado, mas é a vida plena, realizada, sem limites. O que devemos fazer para alcança-la? A resposta de Jesus reassume os mandamentos que se referem ao amor ao próximo. Sobre isso, aquele jovem não há nenhuma pendência; mas, evidentemente, observar os preceitos não basta, não satisfaz seu desejo de plenitude. E Jesus intui este desejo que o jovem traz no coração; por isso, a sua resposta se traduz em um olhar intenso repleto de ternura e afeto: “Fitando-o, Jesus o amou”. Mas Jesus entende também qual é o ponto fraco do seu interlocutor, e lhe faz uma proposta concreta: dar todos os seus bens aos pobres e segui-lo. Aquele jovem, entretanto, tem o coração dividido entre dois patrões: Deus e o dinheiro, e vai embora triste. Isso demonstra que a fé e o apego às riquezas não podem conviver. Assim, ao final, o ímpeto inicial do jovem se apaga na infelicidade de um seguimento que não advém.

No segundo episódio o evangelista enquadra os olhos de Jesus e, desta vez, trata-se de um olhar pensativo, de aviso: “Então, Jesus, olhando em torno, disse a seus discípulos: “Como é difícil a quem tem riquezas entrar no Reino de Deus!”. Diante do estupor dos discípulos, que se perguntam: “Então, quem pode ser salvo?”, Jesus responde com um olhar de encorajamento – é o terceiro olhar – e diz: a salvação é, sim, “impossível aos homens, mas não a Deus”. Se confiamos no Senhor, podemos superar todos os obstáculos que nos impedem de segui-lo no caminho da fé.

E, assim, chegamos ao terceiro episódio, aquele da solene declaração de Jesus: “Em verdade vos digo: “que deixa tudo para me seguir terá a vida eterna no futuro e o cêntuplo já no presente”. Este “cêntuplo” é feito das coisas antes possuídas e depois abandonadas, mas que são multiplicadas ao infinito. Priva-se dos bens e recebe-se em troca a satisfação do verdadeiro bem; libera-se da escravidão das coisas e recebe-se a liberdade do serviço por amor; renuncia-se à posse e ganha-se a alegria do dom.

O jovem não se deixou conquistar pelo olhar de amor de Jesus e, assim, não pôde mudar. Somente acolhendo com humilde gratidão o amor do Senhor nos liberamos das seduções dos ídolos e da cegueira das nossas ilusões. O dinheiro, o prazer, o sucesso, deslumbram, mas depois desiludem: prometem vida, mas trazem morte. O Senhor nos pede para nos desapegarmos destas falsas riquezas para entrar na vida verdadeira, na vida plena, autêntica, iluminada.

E eu pergunto a vocês, jovens, meninos e meninas, que estão agora na praça: Vocês sentiram o olhar de Jesus sobre vocês? O que vocês responderão a Ele? Preferem deixar esta praça com a alegria que Jesus nos dá ou com a tristeza no coração que a mundanidade nos oferece?

Que Nossa Senhora nos ajude a abrir o nosso coração ao amor de Jesus, somente Ele pode satisfazer nossa sede de felicidade.

Leia a íntegra do Angelus com o Papa Francisco – 16/08/2015

brasão do Papa Francisco

ANGELUS
Domingo, 16 de agosto de 2015

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste domingo a Liturgia está nos propondo, do Evangelho de João, o discurso de Jesus sobre o Pão da Vida que é ele próprio e que é também o Sacramento da Eucaristia. A passagem de hoje (João 6,51-58) apresenta a última parte de tal discurso e fala de alguns, entre as pessoas, que se escandalizam porque Jesus disse: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia”. A admiração dos ouvintes é compreensível; Jesus, de fato, usa o estilo típico dos profetas para provocar nas pessoas – e também em nós – questionamentos e, no final, provocar uma decisão. Antes de tudo, as perguntas: o que significa “comer a carne e beber o sangue” de Jesus? É só uma imagem, uma maneira de dizer, um símbolo, ou indica alguma coisa de real? Para responder, é necessário intuir o que acontece no coração de Jesus enquanto parte os pães para a multidão faminta. Sabendo que deverá morrer na cruz por nós, Jesus se identifica com aquele pão partido e partilhado e isto se torna para ele o “sinal” do Sacrifício que o espera. Este processo tem o seu ápice na Última Ceia, onde o pão e o vinho tornam-se realmente o seu Corpo e o seu Sangue. É a Eucaristia, que Jesus nos deixa com um objetivo muito preciso: que nós possamos nos tornar uma só coisa com ele. De fato, diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. O “permanecer”: Jesus em nós e nós em Jesus. A comunhão é assimilação: comendo-o, nos tornamos como ele. Mas isto requer o nosso “sim”, a nossa adesão de fé.

Às vezes se ouve, em relação à Santa Missa, esta objeção: “Mas, para que serve a Missa? Eu vou na Igreja quando sinto vontade, rezo melhor sozinho”. Mas a Eucaristia não é uma oração privada ou uma bonita experiência espiritual, não é uma simples comemoração daquilo que Jesus fez na Última Ceia. Nós dizemos, para entender bem, que a Eucaristia é “memorial”, ou seja , um gesto que atualiza e torna presente o evento da morte e ressurreição de Jesus: o pão é realmente o seu Corpo oferecido por nós, o vinho é realmente o seu Sangue derramado por nós.

A Eucaristia é Jesus mesmo que se doa inteiramente a nós. Alimentar-se dele e morar nele mediante a comunhão eucarística, se o fazemos com fé, transforma a nossa vida, a transforma em um dom a Deus e em um dom aos irmãos. Alimentarmo-nos daquele “Pão da Vida” significa entrar em sintonia com o coração de Cristo, assimilar as suas escolhas, os seus pensamentos, os seus comportamentos. Significa entrar em um dinamismo de amor e se tornar pessoas de paz, pessoas de perdão, de reconciliação, de partilha solidária. O próprio Jesus fez isto.

Jesus conclui seu discurso com estas palavras: “Quem come deste pão viverá eternamente”. Sim, viver em comunhão real com Jesus nesta terra nos faz desde já passar da morte para a vida. O céu começa justamente na comunhão com Jesus.

No céu nos espera já Maria nossa mãe – nos celebramos ontem este mistério. Que ela nos alcance a graça de nutrirmos sempre com a fé de Jesus, Pão da vida.

Após o Angelus o Papa saudou os peregrinos presentes e, em especial, dirigiu uma saudação aos numerosos jovens do movimento juvenil salesiano, reunidos em Turim nos lugares de São João Bosco para celebrar o bicentenário do seu nascimento, vos encorajo a viver no quotidiano a alegria do Evangelho, para gerar esperança no mundo”.

Ao despedir-se, como de costume, Francisco desejou a todos “um bom domingo” e pediu “por favor, não se esqueçam de rezar por mim! Um bom almoço e até logo!”.

 

Leia a íntegra do Angelus com o Papa Francisco – 31/05/2015

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ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 31 de maio de 2015

“Queridos irmãs e irmãs, bom dia e bom domingo!

Hoje celebramos a Festa da Santíssima Trindade, que nos recorda o mistério do único Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Trindade é comunhão de Pessoas divinas as quais estão uma com a outra, uma para a outra, uma na outra: esta comunhão é a vida de Deus, o mistério do amor do Deus vivo. E Jesus nos revelou este mistério. Ele nos falou de Deus como Pai; nos falou do Espírito; e nos falou de si mesmo como Filho de Deus. E assim nos revelou este mistério. E quando, ressuscitado, enviou os seus discípulos a evangelizar os povos, disse a eles para os batizarem “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Esta ordem, Cristo confia à Igreja em todos os tempos, que herdou dos Apóstolos o mandato missionário. O dirige também a cada um de nós que, pela força do Batismo, fazemos parte da sua Comunidade.

Portanto, a solenidade litúrgica de hoje, enquanto nos faz contemplar o maravilhoso mistério de onde viemos e para o qual iremos, nos renova a missão de viver a comunhão com Deus e viver a comunhão entre nós no modelo da comunhão divina. Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre ou contra os outros, mas uns com os outros, para os outros e nos outros. Isto significa acolher e testemunhar concordes a beleza do Evangelho; viver o amor recíproco e para os outros, partilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e dar perdão, valorizando os diversos carismas sob a guia dos Pastores. Em uma palavra, nos é confiada a missão de edificar comunidades eclesiais que sejam sempre mais família, capazes de refletir o esplendor da Trindade e de evangelizar não somente com palavras, mas com a forma do amor de Deus que habita em nós.

A Trindade, como eu acenava, é também o fim último para o qual é orientada a nossa peregrinação terrena. O caminho da vida cristã é, de fato, um caminho essencialmente “trinitário”: o Espírito Santo nos guia ao pleno conhecimento dos ensinamentos de Cristo, e nos recorda também o que Jesus nos ensinou; e Jesus, por sua vez, veio ao mundo para nos fazer conhecer o Pai, para nos guiar a Ele, para reconciliar-nos com Ele. Tudo, na vida cristã, gira em torno ao mistério trinitário e é realizado na ordem deste infinito mistério. Procuremos, portanto, manter sempre elevado o “tom” da nossa vida, recordando-nos sempre a que finalidade e para qual glória nós existimos, trabalhamos, lutamos, sofremos; e a qual imenso prêmio somos chamados. Este mistério abraça toda a nossa vida e todo o nosso ser cristão. Disto nos recordamos, por exemplo, cada vez que fazemos o sinal da cruz: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. e agora vos convido a fazerem todos juntos, e com voz forte, este sinal da cruz: ‘Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Neste último dia do mês de maio, o mês mariano, confiemo-nos a Virgem Maria. Ela, que mais do que qualquer outra criatura conheceu, adorou, amou o mistério da Santíssima Trindade, nos guie pela mão; nos ajude a perceber nos eventos do mundo os sinais da presença de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo; nos faça amar o Senhor Jesus com todo o coração, para caminhar rumo à visão da Trindade, objetivo maravilhoso para o qual tende a nossa vida. Peçamos a ela também para ajudar a Igreja, mistério de comunhão, para ser comunidade acolhedora, onde cada pessoa, especialmente pobre e marginalizada, possa encontrar acolhida e sentir-se filha de Deus, querida e amada”.

Neste último dia do mês de maio, o mês mariano, confiemo-nos a Virgem Maria. Ela, que mais do que qualquer outra criatura conheceu, adorou, amou o mistério da Santíssima Trindade, nos guie pela mão; nos ajude a perceber nos eventos do mundo os sinais da presença de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo; nos faça amar o Senhor Jesus com todo o coração, para caminhar rumo à visão da Trindade, objetivo maravilhoso para o qual tende a nossa vida. Peçamos a ela também para ajudar a Igreja, mistério de comunhão, para ser comunidade acolhedora, onde cada pessoa, especialmente pobre e marginalizada, possa encontrar acolhida e sentir-se filha de Deus, querida e amada”.

Angelus com o Papa Francisco – 1/02/15

 brasão do Papa Francisco

ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 1º de fevereiro de 2015

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico deste domingo (cfr Mc 1, 21-28) apresenta Jesus que, com a sua pequena comunidade de discípulos, entra em Cafarnaum, a cidade onde vivia Pedro e que naqueles tempos era a maior da Galileia. E Jesus entra naquela cidade.

O Evangelista Marcos conta que Jesus, sendo aquele dia um sábado, foi à sinagoga e se colocou a ensinar (cfr v. 21). Isto faz pensar no primado da Palavra de Deus, Palavra a escutar, Palavra a acolher, Palavra a anunciar. Chegando a Cafarnaum, Jesus não adia o anúncio do Evangelho, não pensa na sistematização logística, certamente necessária, da sua pequena comunidade, não perde tempo com a organização. A sua preocupação principal é aquela de comunicar a Palavra de Deus com a força do Espírito Santo. E o povo na sinagoga fica admirado, porque Jesus “ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei.” (v. 22).

O que significa “com autoridade”? Quer dizer que nas palavras humanas de Jesus se sentia toda a força da Palavra de Deus, sentia-se a autoridade própria de Deus, inspirador das Sagradas Escrituras. E uma das características da Palavra de Deus é que realiza aquilo que diz. Porque a Palavra de Deus corresponde à sua vontade. Em vez disso, nós, muitas vezes, pronunciamos palavras vazias, sem raiz ou palavras supérfluas, palavras que não correspondem à verdade. Em vez disso, a Palavra de Deus corresponde à verdade, é unidade com a sua vontade e realiza aquilo que diz. De fato, Jesus, depois de ter pregado, demonstra logo a sua autoridade libertando um homem, presente na sinagoga, que estava possuído pelo demônio (cfr Mc 1, 23-26). Propriamente a autoridade divina de Cristo tinha suscitado a reação de satanás, escondido naquele homem; Jesus, por sua vez, logo reconhece a voz do maligno e “o intimou: ‘Cala-te e sai dele!’” (v. 25). Com a força somente da sua palavra, Jesus liberta a pessoa do maligno. E ainda uma vez mais os presentes ficam admirados: “Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” (v. 27). A Palavra de Deus cria em nós o estupor. Possui a força de nos fazer maravilhar.

O Evangelho é palavra de vida: não oprime as pessoas, ao contrário, liberta quantos são escravos de tantos maus espíritos deste mundo: o espírito da vaidade, o apego ao dinheiro, o orgulho, a sensualidade… O Evangelho muda o coração, muda a vida, transforma as inclinações ao mal em propósitos de bem. O Evangelho é capaz de mudar as pessoas! Portanto, é tarefa dos cristãos difundir por toda a parte a força redentora, tornando-se missionários e arautos da Palavra de Deus. Sugere isso também o mesmo trecho do dia que se conclui com uma abertura missionária e diz assim: “E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia” (v. 28). A nova doutrina ensinada com autoridade por Jesus é aquela que a Igreja leva no mundo, junto com os sinais eficazes da sua presença: o ensinamento com autoridade e a ação libertadora do Filho de Deus tornam-se as palavras de salvação e os gestos de amor da Igreja missionária. Lembrem-se sempre que o Evangelho tem a força de mudar a vida! Não se esqueçam disso. Essa é a Boa Nova, que nos transforma somente quando nós nos deixamos transformar por ela. Eis porque sempre peço que vocês tenham um contato cotidiano com o Evangelho, que o leiam todos os dias, um trecho, uma passagem, que o meditem e também o levem com vocês para onde forem: no bolso, na bolsa… Isso é, para se alimentarem todos os dias com esta fonte inexaurível de salvação. Não se esqueçam! Leiam um trecho do Evangelho todos os dias. É a força que nos muda, que nos transforma: muda a vida, muda o coração.

Invoquemos a materna intercessão da Virgem Maria, Aquela que acolheu a Palavra e a gerou para o mundo, para todos os homens. Que ela nos ensine a sermos ouvintes assíduos e anunciadores do Evangelho de Jesus.

Angelus com o Papa na Festa da Epifania – 06/01/15

brasão do Papa Francisco

ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Boa festa!

Na noite de Natal, meditamos a corrida à gruta de Belém de alguns pastores pertencentes ao povo de Israel; hoje, solenidade da Epifania, fazemos memória da chegada dos Magos, que chegaram do Oriente para adorar o recém-nascido Rei dos Judeus e Salvador universal e lhe oferecer presentes simbólicos. Com o seu gesto de adoração, os Magos testemunham que Jesus veio à terra para salvar não somente um povo, mas todos os povos. Portanto, na festa de hoje o nosso olhar se alarga ao horizonte do mundo inteiro para celebrar a “manifestação” do Senhor a todos os povos, isso é, a manifestação do amor e da salvação universal de Deus. Ele não reserva o seu amor a alguns privilegiados, mas o oferece a todos. Como de todos é o Criador e o Pai, assim de todos quer ser o Salvador. Por isso, somos chamados a alimentar sempre grande confiança e esperança nos confrontos de cada pessoa e da sua salvação: também aqueles que nos parecem distantes do Senhor são seguidos – ou melhor, “perseguidos” – pelo seu amor apaixonado, pelo seu amor fiel e também humilde. Porque o amor de Deus é humilde, tão humilde!

A passagem evangélica dos Magos descreve a sua viagem do Oriente como uma viagem da alma, como um caminho rumo ao encontro com Cristo. Esses são atentos aos sinais que indicam a presença; são incansáveis em enfrentar as dificuldades da busca; são corajosos em levar as consequências de vida derivadas do encontro com o Senhor. A vida é esta: a vida cristã é caminhar, mas estando atentos, incansáveis e corajosos. Assim caminha um cristão. Caminhar atento, incansável e corajoso. A experiência dos Magos evoca o caminho de cada homem rumo a Cristo. Como para os magos, também para nós procurar Deus quer dizer caminhar – e como dizia: atento, incansável e corajoso –  olhando para o céu e vendo no sinal visível da estrela o Deus invisível que fala ao nosso coração. A estrela que é capaz de guiar cada homem a Jesus é a Palavra de Deus, Palavra que está na Bíblia, nos Evangelhos. A Palavra de Deus é luz que orienta o nosso caminho, nutre a nossa fé e a regenera. É a Palavra de Deus que renova continuamente os nossos corações, as nossas comunidades. Portanto, não esqueçamos de lê-la e meditá-la a cada dia, a fim de que se torne para cada um como uma chama que levamos dentro de nós para iluminar os nossos passos e também aqueles de quem caminha próximo a nós, que talvez luta para encontrar o caminho rumo a Cristo. Sempre com a Palavra de Deus! A Palavra de Deus em mãos: um pequeno Evangelho no bolso, sempre, para lê-lo. Não se esqueçam disso: sempre comigo a Palavra de Deus!

Neste dia da Epifania, o nosso pensamento vai também para os irmãos e irmãs do Oriente cristãos, católicos e ortodoxos, muitos dos quais celebram amanhã o Natal do Senhor. A esses chegue a nossa afetuosa saudação.

Gosto também de recordar que hoje se celebra o Dia Mundial da Infância Missionária. É a festa das crianças que vivem com alegria o dom da fé e rezam para que a luz de Jesus chegue a todas as crianças do mundo. Encorajo os educadores a cultivar nos pequenos o espírito missionário. Que não sejam crianças e jovens fechados, mas abertos; que vejam um grande horizonte, que o seu coração vá adiante rumo ao horizonte, a fim de que surjam entre eles testemunhos da ternura de Deus e anunciadores do Evangelho.

Dirijamo-nos agora à Virgem Maria e invoquemos a sua proteção sobre a Igreja universal, a fim de que difunda no mundo inteiro o Evangelho de Cristo, a luz dos povos, luz de todos os povos. E que ela nos faça estar sempre mais em caminho; faça-nos caminhar e no caminho sermos atentos, incansáveis e corajosos.