Catequese do Papa Francisco sobre conflitos nas famílias

brasão do Papa Francisco

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 24 de junho de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nas últimas catequeses falei da família que vive as fragilidades da condição humana, a pobreza, a doença, a morte. Hoje, em vez disso, refletimos sobre as feridas que se abrem justamente dentro da convivência familiar. Quando, isso é, na própria família se faz mal. A pior coisa!

Sabemos bem que em nenhuma história familiar faltam os momentos em que a intimidade dos afetos mais queridos é ofendida pelo comportamento dos seus membros. Palavras e ações (e omissões!) que, em vez de exprimir amor, corroem-no ou, pior, mortificam-no. Quando estas feridas, que ainda são remediáveis, são negligenciadas, elas se agravam: transformam-se em prepotência, hostilidade, desprezo. E naquele ponto podem se tornar lacerações profundas, que dividem marido e mulher e induzem a procurar compreensão, apoio e consolação em outro lugar. Mas muitas vezes esses “apoios” não pensam no bem da família!

O esvaziamento do amor conjugal difunde ressentimento nas relações. E muitas vezes a desagregação recai sobre os filhos.

Bem, os filhos. Gostaria de me concentrar um pouco sobre este ponto. Apesar da nossa sensibilidade aparentemente evoluída, e todas as nossas refinadas análises psicológicas, pergunto-me se nós não estamos anestesiados também a respeito das feridas da alma das crianças. Quanto mais se procura compensar com presentes e lanches, mais se perde o sentido das feridas – mais dolorosas e profundas – da alma. Falamos muito de distúrbios comportamentais, de saúde psíquica, de bem-estar da criança, de ansiedade de pais e filhos… Mas sabemos ainda o que é uma ferida da alma? Sentimos o peso da montanha que esmaga a alma de uma criança, nas famílias em que se trata mal e se fala mal, até o ponto de despedaçar o laço da fidelidade conjugal? Que peso há nas nossas escolhas – escolhas erradas, por exemplo – quanto peso tem a alma das crianças? Quando os adultos perdem a cabeça, quando cada um pensa apenas em si mesmo, quando o pai e a mãe se agridem, a alma dos filhos sofre imensamente, prova um desespero. E são feridas que deixam a marca para toda a vida.

Na família, tudo é interligado: quando a sua alma é ferida em qualquer ponto, a infecção contagia todos. E quando um homem e uma mulher, que se empenharam em ser “uma só carne” e em formar uma família, pensam obsessivamente nas próprias exigências de liberdade e de gratificação, esta distorção afeta profundamente o coração e a vida dos filhos. Tantas vezes as crianças se escondem para chorar sozinhas… Devemos entender bem isso. Marido e mulher são uma só carne. Mas suas criaturas são carne de sua carne. Se pensamos na dureza com que Jesus adverte os adultos a não escandalizar os pequenos – ouvimos na passagem do Evangelho (cfr Mt 18,6) – , podemos compreender melhor também a sua palavra sobre a grave responsabilidade de proteger o laço conjugal que dá início à família humana (cfr Mt 19, 6-9). Quando o homem e a mulher se tornam uma só carne, todas as feridas e todos os abandonos do pai e da mãe incidem na carne viva dos filhos.

É verdade, por outro lado, que há casos em que a separação é inevitável. Às vezes pode se tornar até mesmo moralmente necessária, quando se trata de salvar o cônjuge mais frágil, ou os filhos pequenos, de feridas mais graves causadas pela prepotência e pela violência, das humilhações e da exploração, da indiferença.

Não faltam, graças a Deus, aqueles que, apoiados pela fé e pelo amor pelos filhos, testemunham a sua fidelidade a um laço no qual acreditaram, por mais que pareça impossível fazê-lo reviver. Não todos os separados, porém, sentem esta vocação. Nem todos reconhecem, na solidão, um apelo do Senhor dirigido a eles. Em torno de nós encontramos diversas famílias em situações consideradas irregulares – não gosto dessa palavra – e nos colocamos muitas interrogações. Como ajudá-las? Como acompanhá-las? Como acompanhá-las para que as crianças não se tornem reféns do pai ou da mãe?

Peçamos ao Senhor uma fé grande, para olhar a realidade com o olhar de Deus; e uma grande caridade, para abordar as pessoas com o seu coração misericordioso.

Catequese do Papa Francisco sobre o luto na família

brasão do Papa Francisco

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 17 de junho de 2015

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No percurso de catequeses sobre família, hoje tomamos inspiração diretamente do episódio narrado pelo evangelista Lucas, que escutamos há pouco (cfr Lc 7, 11-15). É uma cena muito comovente, que nos mostra a compaixão de Jesus por quem sofre – neste caso uma viúva que perdeu o único filho – e nos mostra também o poder de Jesus sobre a morte.

A morte é uma experiência que diz respeito a todas as famílias, sem exceção alguma. Faz parte da vida; no entanto, quando toca os afetos familiares, a morte nunca consegue parecer natural. Para os pais, perder o próprio filho é algo particularmente desolador, que contradiz a natureza elementar das relações que dão sentido à própria família. A perda de um filho ou de uma filha é como se o tempo parasse: abre-se um buraco que engole o passado e também o futuro. A morte, que leva o filho pequeno ou jovem, é um tapa nas promessas, nos dons e sacrifícios de amor alegremente entregues à vida que fizemos nascer. Tantas vezes vêm à Missa na Casa Santa Marta pais com a foto de um filho, de uma filha, criança, rapaz, moça, e me dizem: “Foi embora, foi embora”. E o olhar é tão doloroso. A morte toca e quando é um filho toca profundamente. Toda a família permanece meio que paralisada, sem palavras. E algo de similar atinge também a criança que permanece sozinha, pela perda de um pai, ou de ambos. Aquela pergunta: “Mas onde está o papai? Onde está a mamãe? – “Está no céu” – “Mas porque eu não o vejo?”. Esta pergunta abrange uma angústia no coração da criança que fica sozinha. O vazio do abandono que se abre dentro dela é mais angustiante pelo fato de que não tem nem ao menos experiência suficiente para “dar um nome” àquilo que aconteceu. “Quando o papai vai voltar? Quando a mamãe vai voltar?”. O que responder quando a criança sofre? Assim é a morte em família.

Nestes casos, a morte é como um buraco negro que se abre na vida da família e ao qual não sabemos dar explicação alguma. E às vezes se chega até mesmo a colocar a culpa em Deus. Quanta gente – eu as entendo – fica com raiva de Deus, blasfema: “Por que me tirou o filho, a filha? Mas, Deus não existe, não existe! Por que fez isso?”. Tantas vezes ouvimos isso. Mas esta raiva é um pouco aquilo que vem do coração, da grande dor; a perda de um filho ou de uma filha, do pai ou da mãe, é uma grande dor. Isso acontece continuamente nas famílias. Nestes casos, disse, a morte é quase como um buraco. Mas a morte física tem seus “cúmplices” que são também muitas vezes piores que ela e que se chamam ódio, inveja, orgulho, avareza; em resumo, o pecado do mundo que trabalha pela morte e a torna ainda mais dolorosa e injusta. Os afetos familiares aparecem como as vítimas predestinadas e indefesas destes auxiliares poderosos da morte, que acompanham a história do homem. Pensemos na absurda “normalidade” com a qual, em certos momentos e lugares, os eventos que acrescentam horror à morte são provocados pelo ódio e pela indiferença de outros seres humanos. O Senhor nos liberte de nos acostumarmos a isso!

No povo de Deus, com a graça da sua compaixão dada em Jesus, tantas famílias demonstram com os fatos que a morte não tem a última palavra: isto é um verdadeiro ato de fé. Todas as vezes que a família no luto – mesmo terrível – encontra a força de proteger a fé e o amor que nos unem àqueles que amamos, essa impede já agora a morte de pegar tudo. A escuridão da morte deve ser enfrentada com um mais intenso trabalho de amor. “Deus meu, clareia as minhas trevas!”, é a invocação da liturgia da noite. Na luz da Ressurreição do Senhor, que não abandona ninguém daqueles que o Pai lhe confiou, nós podemos tirar da morte o seu “ferrão”, como dizia o apóstolo Paulo (1 Cor 15, 55); podemos impedi-la de envenenar a vida, de estragar os nossos afetos, de fazer-nos cair no vazio mais escuro.

Nesta fé, podemos nos consolar uns aos outros, sabendo que o Senhor venceu a morte de uma vez por todas. Os nossos entes queridos não desapareceram na escuridão do nada: a esperança nos assegura que eles estão nas mãos boas e fortes de Deus. O amor é mais forte que a morte. Por isso, o caminho é fazer crescer o amor, tornando-o mais sólido e amor nos protegerá até o dia em que toda lágrima será enxugada, quando “não haverá mais a morte, nem lamentação, nem dor” (Ap 21, 4). Se nos deixamos apoiar por esta fé, a experiência do luto pode gerar uma solidariedade mais forte dos laços familiares, uma nova abertura à dor das outras famílias, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. Nascer e renascer na esperança, isso nos dá a fé. Mas eu gostaria de destacar uma última frase do Evangelho que hoje ouvimos (cfr Lc 7, 11-15). Depois que Jesus torna a trazer a vida a este jovem, filho da mãe que era viúva, diz o Evangelho: “Jesus o restitui à sua mãe”. E essa é a nossa esperança! Todos os nossos entes queridos que se foram, o Senhor os restituirá a nós e nós nos encontraremos junto a eles. Esta esperança não desilude! Recordemos bem esse gesto de Jesus: “E Jesus o restitui à sua mãe”, assim fará o Senhor com todos os nossos queridos na família!

Esta fé nos protege da visão niilista da morte, bem como das falsas consolações do mundo, de forma que a vida cristã “não arrisca se misturar com mitologias de vários tipos”, cedendo aos ritos da superstição, antiga ou moderna” (Bento XVI, Angelus de 2 de novembro de 2008). Hoje é necessário que os pastores e todos os cristãos exprimam de modo mais concreto o sentido da fé nos confrontos da experiência familiar do luto. Não se deve negar o direito ao pranto – devemos chorar no luto – também Jesus “caiu em pranto” e foi “profundamente perturbado” pelo grave luto de uma família que amava (J0 11, 33-37). Podemos, em vez disso, tirar testemunho bastante simples e forte de tantas famílias que souberam colher, na duríssima passagem da morte, também a segura passagem do Senhor, crucificado e ressuscitado, com a sua irrevogável promessa de ressurreição dos mortos. O trabalho do amor de Deus é mais forte que o trabalho da morte. É daquele amor, é próprio daquele amor que devemos fazer-nos “cúmplices” operários, com a nossa fé! E recordemos aquele gesto de Jesus: “E Jesus o restituiu à sua mãe”, assim fará com todos os nossos entes queridos e conosco quando nos encontraremos, quando a morte será definitivamente derrotada em nós. Essa é a derrota da cruz de Jesus. Jesus nos restituirá em família a todos!

Eucaristia não é um prêmio para os bons, diz Papa Francisco

Na Solenidade de Corpus Christi, o Papa Francisco afirmou que a Eucaristia não é um prêmio para os bons, mas força aos pecadores

A Eucaristia não é um prêmio para os bons, mas a força para os débeis e os pecadores. O perdão, viático que nos ajuda a andar, a caminhar”. Foi o que destacou o Papa Francisco na homilia da Missa de Corpus Christi, em Roma, nesta quinta-feira, 4. 

Francisco citou um trecho do Ofício das Leituras que diz: “Você reconhece neste pão, aquele que foi crucificado; no cálice, o sangue que jorrava de Seu lado. Tomai e comei o Corpo de Cristo, bebam o seu sangue, porque agora são membros de Cristo. Para não vos separarem, comer este vínculo de comunhão; para não esmorecer-vos, beber o preço de sua redenção “.

A partir dessa leitura, questionou o que significa separarmos e esmorecermos, nos dias de hoje. “Nos separamos quando não vivemos a Palavra do Senhor, quando competimos para ocupar os primeiros lugares, quando não somos capazes de oferecer esperança. Assim nos separamos”.

“A Eucaristia não nos permite separarmo-nos; é sinal vivo do amor de Cristo que se aniquilou para que permaneçamos unidos. Participando da Eucaristia e nutrindo-nos dela, nós assumimos um caminho que não admite divisão”, disse.

Esmorecer, segundo o Papa, significa deixar-se atingir pelas idolatrias deste tempo: “o consumir, o aparecer, o ‘eu’ no centro de tudo. O não admitir nunca ter errado e não ter necessidade. Tudo isso nos abate e nos torna cristãos medíocres, pagãos”.

“Agora, experimentemos a graça de uma transformação: nós permaneceremos sempre pobres pecadores, mas o Sangue de Cristo nos livrará dos nossos pecados e nos dará de volta a nossa dignidade. Sem o nosso mérito, com sincera humildade, podemos trazer aos irmãos o amor de nosso Senhor e Salvador”.

A Eucaristia, disse ainda o Papa, atualiza a aliança que santifica, purifica e une os fiéis em comunhão admirável com Deus.

Concluindo a homilia, o Papa pediu que durante a procissão do Santíssimo Sacramento, que marca a Festa de Corpus Christi, cada fiel se lembrasse daqueles cristãos que não podem expressar livremente a sua fé.

“Cantemos com eles, adoremos com eles, e veneremos no nosso coração aos quais fora pedido o sacrifício da vida por amor a Jesus Cristo. E não nos esqueçamos: para não nos separarmos e formamos este vinculo de comunhão, bebamos o preço da nossa redenção”.

Catequese do Papa: misérias sociais que afetam as famílias

brasão do Papa Francisco

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 3 de junho de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nestas quartas-feiras temos refletido sobre família e sigamos adiante neste tema, refletir sobre família. E a partir de hoje, as nossas catequeses se abrem, com a reflexão à consideração da vulnerabilidade que tem a família, nas condições da vida que a colocam à prova. A família tem tantos problemas que a colocam à prova.

Uma dessas provas é a pobreza. Pensemos em tantas famílias que povoam as periferias das megalópoles, mas também nas zonas rurais. Quanta miséria, quanta degradação! E depois, para piorar a situação, em alguns lugares chega também a guerra. A guerra é sempre uma coisa terrível. Essa também afeta especialmente as populações civis, as famílias. Realmente a guerra é a “mãe de todas as pobrezas”, a guerra empobrece a família, uma grande predadora de vidas, de almas e dos afetos mais sagrados e mais queridos.

Apesar disso tudo, há tantas famílias pobres que com dignidade procuram conduzir a sua vida cotidiana, muitas vezes confiando abertamente na benção de Deus. Esta lição, porém, não deve justificar a nossa indiferença, mas sim aumentar a nossa vergonha pelo fato de existir tanta pobreza! É quase um milagre que, mesmo na pobreza, a família continua a se formar e até mesmo a conservar – como pode – a especial humanidade das suas relações. O fato irrita aqueles planejadores de bem-estar que consideram os afetos, as relações familiares como uma variável secundária da qualidade de vida. Não entendem nada! Em vez disso, nós deveríamos nos ajoelhar diante dessas famílias que são uma verdadeira escola de humanidade que salva a sociedade das barbáries.

O que nos resta, de fato, se cedemos à chantagem de César e do Dinheiro, da violência e do dinheiro, e renunciamos também aos afetos familiares? Uma nova ética civil chegará somente quando os responsáveis da vida pública reorganizarem os laços sociais a partir da luta contra a espiral perversa entre família e pobreza, que nos leva ao abismo.

A economia de hoje muitas vezes é especializada no gozo do bem-estar individual, mas pratica largamente a exploração dos laços familiares. Esta é uma contradição grave! O imenso trabalho da família não é cotado nos balanços financeiros, naturalmente! De fato, a economia e a política são mesquinhas de reconhecimento a tal respeito. No entanto, a formação interior da pessoa e a circulação social dos afetos têm justamente ali o seu pilar. Se os tiram, tudo vem a baixo.

Não é somente questão de dinheiro. Falamos de trabalho, falamos de educação, falamos de saúde. É importante entender bem isso. Ficamos sempre muito comovidos quando vemos imagens das crianças desnutridas e doentes, que são mostradas para nós em tantas partes do mundo. Ao mesmo tempo, também nos comove muito o olhar brilhante de muitas crianças, privadas de tudo, que estão em escolas feitas de nada, quando mostram com orgulho sua caneta e o seu caderno. E como olham com amor o seu professor ou a sua professora! Realmente, as crianças sabem que o homem não vive só de pão! Mesmo o afeto familiar; quando há a miséria as crianças sofrem, porque elas querem o amor, as relações familiares.

Nós cristãos devemos estar sempre mais próximos às famílias que a pobreza coloca à prova. Mas pensem, todos vocês conhecem alguém: um pai sem trabalho, uma mãe sem trabalho…e a família sofre, as relações se enfraquecem. Isso é ruim. De fato, a miséria social atinge a família e às vezes a destroi. A falta ou a perda de trabalho, ou a sua forte precariedade, incidem pesadamente sobre a vida familiar, colocando à dura prova as relações. As condições de vida nos bairros mais desfavorecidos, com os problemas de habitação e de transportes, bem como a redução dos serviços sociais, de saúde, de escola, causam dificuldades. A estes fatores materiais se soma o dano causado à família pelos pseudo-modelos, difundidos pelos meios de comunicação baseados no consumismo e o culto da aparência, que influenciam as classes sociais mais pobres e incrementam a desagregação das relações familiares. Cuidar das famílias, cuidar do afeto, quando a miséria coloca a família à prova!

A Igreja é mãe e não deve esquecer este drama dos seus filhos. Também essa deve ser pobre, para se tornar fecunda e responder a tanta miséria. Uma Igreja pobre é uma Igreja que pratica uma simplicidade voluntária na própria vida – nas suas próprias instituições, no estilo de vida dos seus membros – para abater todo muro de separação, sobretudo dos pobres. É preciso oração e ação. Rezemos intensamente ao Senhor, que nos sacode, para tornar as nossas famílias cristãs protagonistas desta revolução da proximidade familiar, que agora é tão necessária! Dessa, dessa proximidade familiar, desde o início, é feita a Igreja. E não esqueçamos que o julgamento dos necessitados, dos pequenos e dos pobres antecipa o julgamento de Deus (Mt 25, 31-46). Não esqueçamos isso e façamos tudo aquilo que podemos para ajudar as famílias a seguir adiante na provação da pobreza e da miséria que atingem os afetos, as relações familiares. Eu gostaria de ler outra vez o texto da Bíblia que escutamos no início e cada um de nós pense nas famílias que são provadas pela miséria e pela pobreza, a Bíblia diz assim: “Meu filho, não negues esmola ao pobre, nem dele desvieis os olhos. Não desprezes o que tem fome, não irrites o pobre em sua indigência. Não aflijas o coração do infeliz, não recuses tua esmola àquele que está na miséria; não rejeiteis o pedido do aflito, não desvieis o rosto do pobre. Não desvieis os olhos do indigente, para que ele não se zangue” (Eclo 4,1-5a). Porque isso será aquilo que fará o Senhor – o diz no Evangelho – se não fazemos essas coisas.