Na íntegra, homilia do Papa nas primeiras vésperas do Advento

Brasão do Papa

HOMILIA
Primeiras Vésperas do Advento
Basílica de São Pedro, no Vaticano
Sábado, 30 de novembro de 2013

Renova-se hoje o tradicional encontro de Advento com os estudantes das Universidades de Roma, aos quais se unem os reitores e professores das Universidades romanas e italianas. Saúdo cordialmente a todos: o Cardeal Vigário, os Bispos, as autoridades acadêmicas e institucionais, os assistentes das Capelanias e grupos universitários. Saúdo particularmente vocês, queridos universitários e universitárias.

O desejo que São Paulo dirige aos cristãos de Tessalônica, para que Deus possa santificá-los até a perfeição, por um lado mostra a sua preocupação com sua santidade de vida colocada em perigo, e de outro uma grande confiança na intervenção do Senhor.

Esta preocupação do Apóstolo é válida também para nós cristãos de hoje. A plenitude da vida cristã que Deus realiza nos homens, na verdade, está sempre ameaçada pela tentação de ceder ao espírito mundano.

Por isso, Deus nos doa a sua ajuda mediante a qual podemos preservar os dons do Espírito Santo, a nova vida no Espírito que Ele nos deu. Conservando esta “linfa” saudável em nossa vida, todo o nosso ser, espírito, alma e corpo, se conserva irrepreensível, na posição vertical. Mas por que Deus, depois de ter concedido seus tesouros espirituais, ainda tem de intervir para mantê-los íntegros? Porque somos fracos, a nossa natureza humana é frágil e os dons de Deus são preservados em nós como em “vasos de argila”.

A intervenção de Deus em favor de nossa perseverança até o fim, até o encontro definitivo com Jesus, é expressão de sua fidelidade. Ele é fiel primeiramente a si mesmo. Portanto, a obra que começou em cada um de nós, com seu chamado, Ele a levará até o fim. Isso nos dá segurança e grande confiança: uma confiança que se apoia em Deus e exige nossa colaboração ativa e corajosa para enfrentar os desafios do momento presente.

Queridos jovens universitários, a sua vontade e suas capacidades, unidas ao poder do Espírito Santo que habita dentro de cada um de vocês desde o dia de seu Batismo, permitem que vocês sejam não espectadores, mas protagonistas dos acontecimentos contemporâneos.

São vários os desafios que vocês jovens estudantes universitários são chamados a enfrentar com coragem interior e audácia evangélica. O contexto sociocultural em que vocês estão inseridos às vezes sofre o peso da mediocridade e do tédio.

Não é necessário se resignar à monotonia da vida cotidiana, mas cultivar grandes projetos, ir além do comum: não lhes deixem roubar o entusiasmo juvenil! Seria um erro também deixar-se aprisionar pelo pensamento fraco e pelo pensamento uniforme, bem como pela globalização entendida como homologação.

Para superar estes riscos, o modelo a seguir não é da esfera na qual está nivelada toda saliência e desaparece toda diferença; o modelo é do poliedro que inclui uma multiplicidade de elementos e respeita a unidade na variedade.

O pensamento, de fato, é fecundo quando é expressão de uma mente aberta, que discerne sempre iluminada pela verdade, pelo bem e pela beleza.

Se vocês não se deixarem condicionar pela opinião dominante, mas permanecerem fiéis aos princípios éticos e religiosos cristãos, vocês encontrarão a coragem para caminhar até mesmo contracorrente. Num mundo globalizado, vocês poderão contribuir para salvar peculiaridades e características próprias, buscando, porém não baixar o nível ético.

De fato, a pluralidade de pensamento e de individualidade reflete a multiforme sabedoria de Deus, quando se aproxima da verdade com honestidade e rigor intelectual, de modo que cada um pode ser um dom para o benefício de todos.

O compromisso de caminhar na fé e se comportar de maneira coerente com o Evangelho acompanhe vocês neste tempo de Advento, para viver de maneira autêntica a festa do Natal do Senhor.

Pode ajudá-los o belo testemunho do Beato Pier Giorgio Frassati, que dizia: “Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem apoiar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas com viver com dificuldade. Nós não deveríamos viver com dificuldade, mas viver”.

Obrigado e boa caminhada rumo a Belém!

Catequese com o Papa Francisco – 27/11/2013

Catequese com o Papa Francisco - 27/11/2013

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Queridos irmãos e irmãs,

Bom dia e parabéns porque vocês são corajosos com este frio na praça. Muitos parabéns!

Quero concluir as catequeses sobre “Credo”, desenvolvidas durante o Ano da Fé, que se concluiu domingo passado. Nesta catequese e na próxima, gostaria de considerar o tema da ressurreição da carne, capturando dois aspectos como os apresenta o Catecismo da Igreja Católica, isso é, o nosso morrer e o nosso ressurgir em Jesus Cristo. Hoje, concentro-me no primeiro aspecto, “morrer em Cristo”.

1. Entre nós, comumente, há um modo errado de olhar para a morte. A morte diz respeito a todos, e nos interroga de modo profundo, especialmente quando nos toca de modo próximo, ou quando atinge os pequenos, os indefesos de maneira que nos resulta “escandalosa”.  A mim sempre veio a pergunta: por que sofrem as crianças? Por que morrem as crianças? Se entendida como o fim de tudo, a morte assusta, aterroriza, transforma-se em ameaça que infringe todo sonho, toda perspectiva, que rompe toda relação e interrompe todo caminho. Isso acontece quando consideramos a nossa vida como um tempo fechado entre dois pólos: o nascimento e a morte; quando não acreditamos em um horizonte que vai além daquele da vida presente; quando se vive como se Deus não existisse. Esta concepção da morte é típica do pensamento ateu, que interpreta a existência como um encontrar-se casualmente no mundo e um caminhar para o nada. Mas existe também um ateísmo prático, que é um viver somente para os próprios interesses e viver somente para as coisas terrenas. Se nos deixamos levar por esta visão errada da morte, não temos outra escolha se não ocultar a morte, negá-la ou banalizá-la, para que não nos cause medo.

2. Mas a essa falsa solução se rebela o “coração” do homem, o desejo que todos nós temos de infinito, a nostalgia que todos temos do eterno. E então qual é o sentido cristão da morte? Se olhamos para os momentos mais dolorosos da nossa vida, quando perdemos uma pessoa querida – os pais, um irmão, uma irmã, um cônjuge, um filho, um amigo – nos damos conta de que, mesmo no drama da perda, mesmo dilacerados pela separação, sai do coração a convicção de que não pode estar tudo acabado, que o bem dado e recebido não foi inútil. Há um instinto poderoso dentro de nós que nos diz que a nossa vida não termina com a morte.

Esta sede de vida encontrou a sua resposta real e confiável na ressurreição de Jesus Cristo. A ressurreição de Jesus não dá somente a certeza da vida além da morte, mas ilumina também o próprio mistério da morte de cada um de nós. Se vivemos unidos a Jesus, fiéis a Ele, seremos capazes de enfrentar com sabedoria e serenidade mesmo a passagem da morte. A Igreja, de fato, prega: “Se nos entristece a certeza de dever morrer, consola-nos a promessa da imortalidade futura”. Uma bela oração esta da Igreja! Uma pessoa tende a morrer como viveu. Se a minha vida foi um caminho com o Senhor, um caminho de confiança na sua imensa misericórdia, estarei preparado para aceitar o último momento da minha existência terrena como o definitivo abandono confiante em suas mãos acolhedoras, à espera de contemplar face-a-face o seu rosto. Essa é a coisa mais bela que pode nos acontecer: contemplar face-a-face aquele rosto maravilhoso do Senhor, vê-Lo como Ele é, belo, cheio de luz, cheio de amor, cheio de ternura. Nós caminhamos para este ponto: ver o Senhor.

3. Neste horizonte se compreende o convite de Jesus a estar sempre prontos, vigilantes, sabendo que a vida neste mundo nos foi dada também para preparar a outra vida, aquela com o Pai Celeste. E para isto há um caminho seguro: preparar-se bem para a morte, estando próximo a Jesus. Esta é a segurança: o meu preparo para a morte estando próximo a Jesus. E como se fica próximo a Jesus? Com a oração, nos Sacramentos e também na prática da caridade. Recordemos que Ele está presente nos mais frágeis e necessitados. Ele mesmo identificou-se com eles, na famosa parábola do juízo final, quando disse: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes, nu e me vestistes, enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim…Tudo aquilo que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 35-36. 40). Portanto, um caminho seguro é recuperar o sentido da caridade cristã e da partilha fraterna, cuidar das feridas corporais e espirituais do nosso próximo. A solidariedade no partilhar a dor e infundir esperança é premissa e condição para receber por herança aquele Reino preparado para nós. Quem pratica a misericórdia não teme a morte. Pensem bem nisto: quem pratica a misericórdia não teme a morte! Vocês estão de acordo? Digamos juntos para não esquecê-lo? Quem pratica a misericórdia não teme a morte. E por que não teme a morte? Porque a olha em face das feridas dos irmãos e a supera com o amor de Jesus Cristo.

Se abrirmos a porta da nossa vida e do nosso coração aos irmãos mais pequeninos, então também a nossa morte se tornará uma porta que nos introduzirá no céu, na pátria bem aventurada, para a qual estamos caminhando, desejando habitar para sempre com o nosso Pai, Deus, com Jesus, com Nossa Senhora e com os santos.

Vaticano apresenta primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco

Documento do Papa fala sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual

Vaticano apresenta primeira Exortação Apóstolica de Francisco

Evangelii gaudium – a alegria do Evangelho. A primeira Exortação Apostólica do pontificado de Papa Francisco foi apresentada em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 26, no Vaticano. O documento fala sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual.

“Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos”, escreve o Pontífice na Exortação.

Segundo o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, a Exortação pode ser resumida como um documento escrito à luz da alegria para redescobrir a fonte da evangelização no mundo contemporâneo.

“Papa Francisco infunde coragem e provoca um olhar adiante, apesar do momento de crise, fazendo uma vez mais da cruz e ressurreição de Cristo ‘bandeira da vitória’”, disse Dom Rino.

O arcebispo explicou ainda que, prolongando o ensinamento da Evangelii nuntiandi, do Papa Paulo VI, Francisco coloca novamente no centro a pessoa de Jesus Cristo, primeiro evangelizador que hoje chama cada um a participar da sua obra de salvação.

O novo documento do Papa traz, entre outros, a contribuição dos trabalhos do Sínodo realizado no Vaticano no ano passado, com o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé”.

Com 288 páginas, a Exortação Apostólica está dividida em cinco capítulos: a transformação missionária da igreja, na crise do compromisso comunitário, o anúncio do evangelho, a dimensão social da evangelização e evangelizadores com espírito.

Um dos convites feitos pelo Papa na Exortação é para que todo cristão renove o seu encontro pessoal com Cristo ou então que se deixe encontrar por Ele, buscando-O sem cessar. “Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada”.

 

Discurso do Papa aos fiéis greco-católicos ucranianos – 25/11/2013

Discurso do Papa aos fiéis greco-católicos ucranianos

DISCURSO
Audiência com peregrinos greco-católicos ucranianos em ocasião do 50º Aniversário da deposição das relíquias de São Josafá na Basílica Vaticana
Basílica Vaticana
Segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Queridos peregrinos vindos da Ucrânia,

Acolhi com muito prazer o convite de Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, Arcebispo Maior de Kyiv-Halyč, e do Sínodo da Igreja greco-católica ucraniana a unir-me com vocês nesta peregrinação ao túmulo de São Josafá, Bispo e Mártir, no quinquagésimo aniversário do translado de suas relíquias nesta Basílica Vaticana. Acolho com alegria também a delegação dos Bizantinos de Bielorussia.

O Papa Paulo VI, em 22 de novembro de 1963, fez colocar o corpo de São Josafá sob o altar dedicado a São Basílio Magno, perto do túmulo de São Pedro. O santo mártir ucraniano, de fato, escolheu abraçar a vida monástica segundo a Regra basiliana. E o fez por todo o caminho, empenhando-se também para a reforma da própria Ordem de pertença, reforma que levou ao nascimento da Ordem Basiliana de São Josafá. Ao mesmo tempo, primeiro como simples fiel, depois como monge e por fim como arcebispo de Polotsk, ele empenhou todas as suas forças para a união da Igreja sob a orientação de Pedro, Príncipe dos Apóstolos.

Queridos irmãos e irmãs, a memória deste santo Mártir nos fala da comunhão dos santos, da comunhão de vida entre todos aqueles que pertencem a Cristo. É uma realidade que nos faz provar a vida eterna, porque um aspecto importante da vida eterna consiste na alegre fraternidade de todos os santos. “Cada um amará o outro como a si mesmo – ensina São Tomás de Aquino – e por isso apreciará o bem dos outros como próprio. Assim, a alegria de um só será tanto maior quanto maior for a alegria de todos os outros bem-aventurados” (Conferência sobre o Credo).

Se tal é a comunhão da Igreja, todo aspecto da nossa vida cristã pode ser animado pelo desejo de construir junto, de colaborar, de aprender uns com os outros, de testemunhar a fé juntos. Acompanha-nos neste caminho, e é o centro deste caminho, Jesus Cristo, o Senhor Ressuscitado. Este desejo de comunhão nos impele a procurar entender o outro, a respeitá-lo e também a acolhê-lo e oferecer a correção fraterna.

Queridos irmãos e irmãs, o melhor modo de celebrar São Josafá é amar-nos entre nós e amar e servir a unidade da Igreja. Apoia-nos nisto também o testemunho corajoso de tantos mártires dos tempos mais recentes, que constituem uma grande riqueza e um grande conforto para a vossa Igreja.

Desejo que a comunhão profunda que vocês desejam aprofundar a cada dia dentro da Igreja católica ajude vocês a construir pontes de fraternidade também com outras Igrejas e Comunidades eclesiais em terra ucraniana e em outros lugares, onde as vossas comunidades estão presentes. Com a intercessão da Beata Virgem Maria e de São Josafá, o Senhor vos acompanhe sempre e vos abençõe!

Benção

E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Obrigado!

Palavras do Papa aos voluntários do Ano da Fé – 25/11/13

Palavras do Papa aos voluntários do Ano da Fé - 25/11/13

PALAVRAS DO PAPA
Audiência com voluntários que prestaram serviço na organização do Ano da Fé
Sala Clementina – Palácio Apostólico Vaticano
Segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Ano da Fé, que se concluiu ontem, foi para os crentes uma ocasião providencial para reavivar a chama da fé, aquela chama que nos foi confiada no dia do Batismo, para que fosse por nós protegida e partilhada. Durante este Ano, Ano especial, vocês gastaram com generosidade parte do vosso tempo e das vossas capacidades, especialmente a serviço dos percursos espirituais propostos aos vários grupos de fiéis com apropriadas iniciativas pastorais. Em nome da Igreja, agradeço-vos e, juntos, agradeçamos ao Senhor por todo o bem que nos dá para cumprir.

Neste tempo de graça, pudemos redescobrir o essencial do caminho cristão, no qual a fé, junto com a caridade, ocupa o primeiro lugar. A fé, de fato, é a pedra fundamental da experiência cristã, porque motiva as escolhas e os atos da nossa vida cotidiana. Esta é a veia inevitável de todo o nosso agir, em família, no trabalho, na paróquia, com os amigos, nos vários ambientes sociais. E esta fé sadia, genuína, se vê especialmente nos momentos de dificuldade e de prova: então o cristão se deixa levar pelos braços de Deus e se apega a Ele, com a segurança de confiar em um amor forte como rocha indestrutível. Propriamente nas situações de sofrimento, se nos abandonamos a Deus com humildade, podemos dar um bom testemunho.

Queridos amigos e amigas, o vosso precioso trabalho de voluntariado, para os vários eventos do Ano da Fé, deu a vocês a oportunidade de colher melhor que outros o entusiasmo das diversas categorias de pessoas envolvidas. Juntos devemos realmente louvar o Senhor pela intensidade espiritual e o ardor apostólico suscitados por tantas iniciativas pastorais promovidas nestes meses, em Roma e em toda parte do mundo. Somos testemunhas de que a fé em Cristo é capaz de aquecer os corações, tornando-se realmente a força motriz da nova evangelização. Uma fé vivida em profundidade e com convicção tende a abrir-se a vasto alcance ao anúncio do Evangelho. É esta fé que torna missionárias as nossas comunidades! E de fato há necessidade de comunidades cristãs empenhadas em um apostolado corajoso, que alcança as pessoas em seus ambientes, mesmo naqueles mais difíceis.

Esta experiência que vocês adquiriram no Ano da Fé ajuda antes de tudo vocês a abrir vocês mesmos e as vossas comunidades ao encontro com os outros. Isto é importante, eu diria essencial! Sobretudo abrir-se a quantos são pobres de fé e de esperança em suas vidas. Falamos tanto de pobreza, mas nem sempre pensamos nos pobres de fé: há tantos. São tantas as pessoas que precisam de um gesto humano, de um sorriso, de uma palavra verdadeira, de um testemunho através do qual colher a proximidade de Jesus Cristo. Não falte a ninguém este sinal de amor e de ternura que nasce da fé.

Agradeço-vos e invoco sobre vocês e suas famílias a benção do Senhor.

Papa Francisco retoma tema do último Sínodo sobre a Nova Evangelização

O Espírito Santo é o principal agente da Nova Evangelização, disse o Pontífice

Da redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco recebeu na manhã desta quinta-feira, 13, os 25 membros do XIII Conselho Ordinário da Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos, que estão reunidos nesses dias para auxiliar o Pontífice na escolha do tema da próxima Assembleia Geral.

Em seu discurso, o Papa falou do tema da última Assembleia: A nova evangelização para a transmissão da fé. Francisco explicou a estreita relação que existe entre esses dois elementos, já que a transmissão da fé é a finalidade da nova evangelização e de toda a obra evangelizadora da Igreja, que existe para isso.

Ademais, o termo “nova evangelização” evidencia a necessidade de um renovado anúncio do Evangelho nos países de antiga tradição cristã, para reconduzir a um encontro com Cristo que transforme realmente a vida e não seja superficial, marcada pela rotina. Isso acarreta consequências na ação pastoral, que deve rever seus métodos para anunciar a mensagem cristã ao homem moderno.

“Gostaria de encorajar toda a comunidade eclesial a ser evangelizadora, a não ter medo de ‘sair’ de si para anunciar. Certamente, as técnicas são importantes, mas nem mesmo as mais perfeitas poderiam substituir a ação discreta mas eficaz Daquele que é o principal agente da evangelização: o Espírito Santo.”

O Pontífice destacou que é preciso deixar-se guiar por Ele, mesmo que nos leve a caminhos novos, para que o anúncio com a palavra seja sempre acompanhado pela simplicidade de vida, pelo espírito de oração, de caridade por todos, principalmente pelos pobres, pela humildade e desapego de si e pela santidade de vida. “Somente assim o anúncio será fecundo!”

Francisco falou também sobre a estrutura do Sínodo dos Bispos, fruto do Concílio Vaticano II e atualmente guiado pelo Secretário-Geral, Dom Nikola Eterović.

O Papa disse que ele mesmo pôde experimentar os benefícios desta instituição, que está a serviço da missão e da comunhão da Igreja como expressão da colegialidade. “Posso testemunhar com base na minha experiência pessoal, por ter participado de várias Assembleias sinodais. Abertos à graça do Espírito Santo, alma da Igreja, estamos confiantes de que o Sínodo dos Bispos conhecerá ulteriores evoluções para favorecer ainda mais o diálogo e a colaboração entre os Bispos, e entre eles e o Bispo de Roma.

Por fim, o Papa agradece pelas propostas enviadas pelas instituições com as quais a Secretaria-Geral do Sínodo está em contato permanente para definir o próximo tema da Assembleia Geral.

Diálogo: Papa responde questionamentos dos bispos

Após entregar o discurso aos 25 membros do XIII Conselho Ordinário da Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos, parte dos presentes dirigiu-lhe algumas perguntas, às quais o Pontífice respondeu.

Em primeiro lugar, anunciou que concluirá a Carta encíclica iniciada pelo Papa emérito Bento XVI. Francisco explicou que sobre a Exortação pós-sinodal prevê trabalhar retomando todo o Sínodo sobre a nova evangelização realizado em outubro do ano passado, mas “numa moldura mais ampla”, que é a “da evangelização em geral”.

Como referido, o Conselho Ordinário da Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos reunido nestes dias refletiu também sobre temas da próxima Assembleia Geral Ordinária. O Papa Francisco respondeu também sobre temas sugeridos.

Recordou que em 2015 teremos os 50 anos do documento conciliar Gaudium et spes – Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo –, da qual podem ser tomados temas que concernem “às relações Igreja-mundo”, a dignidade humana, a família, a tecnologia…

Em particular, o Santo Padre ressaltou a seriedade dos problemas da família, do fato que hoje muitas pessoas não se casam, convivem, e o matrimônio se torna “provisório”.

Falou também sobre a questão da ecologia, em particular em relação à “ecologia humana”. Em nível antropológico, o Papa Francisco evidenciou o problema da laicidade que se tornou laicismo, sobre a secularização praticamente.

Por fim, fez referência à questão do Sínodo e da sua relação com o ministério petrino, em torno do qual existem muitas expectativas. O Papa concluiu a conversação com um renovado agradecimento e encorajamento ao compromisso a responder aos novos desafios.

Homilia do Papa no encerramento do Ano da Fé – 24/11/2013

Homilia do Papa no encerramento do Ano da Fé - 24/11/2013

HOMILIA
Santa Missa de encerramento do Ano da Fé
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 24de novembro de 2013

A solenidade de Cristo Rei do universo, que hoje celebramos como coroamento do ano litúrgico, marca também o encerramento do Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, para quem neste momento se dirige o nosso pensamento cheio de carinho e de gratidão por este dom que nos deu. Com esta iniciativa providencial, ele ofereceu-nos a oportunidade de redescobrirmos a beleza daquele caminho de fé que teve início no dia do nosso Baptismo e nos tornou filhos de Deus e irmãos na Igreja; um caminho que tem como meta final o encontro pleno com Deus e durante o qual o Espírito Santo nos purifica, eleva, santifica para nos fazer entrar na felicidade por que anseia o nosso coração.

Desejo também dirigir uma cordial e fraterna saudação aos Patriarcas e aos Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais Católicas, aqui presentes. O abraço da paz, que trocarei com eles, quer significar antes de tudo o reconhecimento do Bispo de Roma por estas Comunidades que confessaram o nome de Cristo com uma fidelidade exemplar, paga muitas vezes por caro preço.

Com este gesto pretendo igualmente, através deles, alcançar todos os cristãos que vivem na Terra Santa, na Síria e em todo o Oriente, a fim de obter para todos o dom da paz e da concórdia.

As Leituras bíblicas que foram proclamadas têm como fio condutor a centralidade de Cristo: Cristo está no centro, Cristo é o centro. Cristo, centro da criação, do povo e da história.

1. O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura tirada da Carta aos Colossenses, dá-nos uma visão muito profunda da centralidade de Jesus. Apresenta-O como o Primogênito de toda a criação: Nele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas. Ele é o centro de todas as coisas, é o princípio: Jesus Cristo, o Senhor. Deus deu-Lhe a plenitude, a totalidade, para que Nele fossem reconciliadas todas as coisas (cf. 1, 12-20). Senhor da criação, Senhor da reconciliação.

Esta imagem faz-nos compreender que Jesus é o centro da criação; e, portanto, a atitude que se requer do crente – se o quer ser de verdade – é reconhecer e aceitar na vida esta centralidade de Jesus Cristo, nos pensamentos, nas palavras e nas obras. E, assim, os nossos pensamentos serão pensamentos cristãos, pensamentos de Cristo. As nossas obras serão obras cristãs, obras de Cristo, as nossas palavras serão palavras cristãs, palavras de Cristo. Diversamente, quando se perde este centro, substituindo-o por outra coisa qualquer, disso só derivam danos para o meio ambiente que nos rodeia e para o próprio homem.

2. Além de ser centro da criação e centro da reconciliação, Cristo é centro do povo de Deus. E hoje mesmo Ele está aqui, no centro da nossa assembleia. Está aqui agora na Palavra e estará aqui no altar, vivo, presente, no meio de nós, seu povo. Assim nos mostra a primeira Leitura, que narra o dia em que as tribos de Israel vieram procurar Davi e ungiram-no rei sobre Israel diante do Senhor (cf. 2 Sam 5, 1-3). Na busca da figura ideal do rei, aqueles homens procuravam o próprio Deus: um Deus que Se tornasse vizinho, que aceitasse caminhar com o homem, que Se fizesse seu irmão.

Cristo, descendente do rei Davi, é precisamente o “irmão” ao redor do qual se constitui o povo, que cuida do seu povo, de todos nós, a preço da sua vida. Nele, nós somos um só; um só povo unido a Ele, partilhamos um só caminho, um único destino. Somente Nele, Nele por centro, temos a identidade como povo.

3. E, por último, Cristo é o centro da história da humanidade e também o centro da história de cada homem. A Ele podemos referir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de que está tecida a nossa vida. Quando Jesus está no centro, até os momentos mais sombrios da nossa existência se iluminam: Ele nos dá esperança, como fez com o bom ladrão no Evangelho de hoje.

Enquanto todos os outros se dirigem a Jesus com desprezo – “Se és o Cristo, o Rei Messias, salva-Te a Ti mesmo, descendo do patíbulo!” –, aquele homem, que errou na vida, no fim agarra-se arrependido a Jesus crucificado suplicando: “Lembra-Te de mim, quando entrares no teu Reino” (Lc 23, 42). E Jesus promete-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (23, 43): o seu Reino. Jesus pronuncia apenas a palavra do perdão, não a da condenação; e quando o homem encontra a coragem de pedir este perdão, o Senhor nunca deixa sem resposta um tal pedido. Hoje todos nós podemos pensar na nossa história, no nosso caminho. Cada um de nós tem a sua história; cada um de nós tem também os seus erros, os seus pecados, os seus momentos felizes e os seus momentos sombrios. Neste dia, far-nos-á bem pensar na nossa história, olhar para Jesus e, do fundo do coração, repetir-lhe muitas vezes – mas com o coração, em silêncio – cada um de nós: “Lembra-Te de mim, Senhor, agora que estás no teu Reino! Jesus, lembra-Te de mim, porque eu tenho vontade de me tornar bom, mas não tenho força, não posso: sou pecador, sou pecadora. Mas lembra-Te de mim, Jesus! Tu podes lembrar-Te de mim, porque Tu estás no centro, Tu estás precisamente no teu Reino!”. Que bom! Façamo-lo hoje todos, cada um no seu coração, muitas vezes: “Lembra-Te de mim, Senhor, Tu que estás no centro, Tu que estás no teu Reino!”.

A promessa de Jesus ao bom ladrão dá-nos uma grande esperança: diz-nos que a graça de Deus é sempre mais abundante de quanto pedira a oração. O Senhor dá sempre mais – Ele é tão generoso! –, dá sempre mais do que se Lhe pede: pedes-Lhe que Se lembre de ti, e Ele leva-te para o seu Reino! Jesus é precisamente o centro dos nossos desejos de alegria e de salvação. Caminhemos todos juntos por esta estrada!